Justin Wilson em foco

JUSTIN WILSON
por Rafael Ligeiro
São Paulo (BR), 28 Dez 2002

A Fórmula-1 conheceu o nome do 18° inscrito para a temporada 2003: trata-se do inglês Justin Wilson, de 24 anos, que assinou contrato de dois anos com a Minardi. Campeão mundial de Fórmula-3000 em 2001, Wilson é, sem dúvidas, mais um piloto veloz e talentoso, de futuro promissor.

Promissor. Entre todas palavras que podem caracterizar um piloto, essa foi a que não empregaria na primeira vez que vi o britânico em ação nas pistas, no GP do Brasil de F-3000 do ano passado. Tudo bem, ele venceu a prova, mas teve muita sorte por Pizzonia, que liderava a prova com mais de 10 segundos de vantagem ao inglês, receber uma punição das mais polêmicas da história. Além disso, Wilson quase espatifou o Coca-Cola Nordic que pilotava no muro da reta dos boxes após uma frustrada tentativa de copiar os donuts de Alessandro Zanardi, manobra que o italiano usava para celebrar suas vitórias na Fórmula Mundial.

No entanto, a má impressão morreu ali. No restante da temporada, Justin fez trabalho magnífico, sempre encontrou o melhor acerto para seu carro - algo extremamente importante em qualquer categoria, especialmente em certames de base, como a Fórmula-3000. Ao final da temporada, Wilson contabilizava quatro vitórias, seis segundos e um terceiro lugares, a marca recorde de 71 pontos num único campeonato e apenas um abandono, em Nürburgring, por problemas mecânicos no seu monoposto. Em 2002 não impressionou, mas mostrou bom desempenho na concorrida Telefónica World Series.

Logicamente, correr pela Minardi não era o que ele (e dez em dez pilotos) queria. O inglês chegou a ser cogitado na Jordan, mas diante de concorrentes com mais dinheiro para comprar a vaga e de um grid cada vez menor assinar com a equipe de Faenza foi o que restou. Grandes resultados? Nem pensar. A aposta de Wilson é fazer o mesmo que Mark Webber: mostrar serviço com o carro preto e "picar a mula" rumo a uma equipe intermediária...

Para o automobilismo inglês, mais que a chegada de um bom piloto, a presença de Justin na F-1 em 2003 é o término de um tabu. A terra da rainha Elizabeth alinhou apenas com Jenson Button nas últimas duas temporadas. Aliás, a Inglaterra perdeu, apenas de 1995 a 2000, quatro pilotos por aposentadoria: Nigel Mansell (1995), Martin Brundle (1996), Damon Hill (1999) e Johnny Herbert (2000). Além deles, Mark Blundell partiu para a Fórmula Mundial em 1997.

Bom também para o Brasil. Com a contratação de Wilson pela Minardi, duas portas abriram-se para pilotos brasileiros. A primeira é para Ricardo Zonta, que tinha o inglês como principal concorrente a uma vaga na equipe Newman/Haas de Fórmula Mundial. Já a segunda é para Ricardo Maurício na Telefónica World Series. Mesmo após bom desempenho em teste na IRL, o paulista ainda não foi confirmado na Red Bull, devido ao impasse do piloto e dono do time, Eddie Cheever Jr., em continuar nas pistas no próximo ano. Diante da possibilidade de ficar na mão, o caminho mais provável para Maurício é assumir o posto de Wilson na Racing Engeneering, da Telefónica World Series.

Deixando a rivalidade entre Brasil e Inglaterra de lado, deixo meu voto de boa sorte para esse "pequeno" garoto de 1,91 m.