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CULPA DE SCHUMACHER
por Rafael Ligeiro
São Paulo (BR), 12 Fev 2007

Como será o duelo entre Felipe Massa e Kimi Räikkönen na Ferrari? Sem dúvidas, essa é a questão do momento na Fórmula-1. E para chegar a essa conclusão é extremamente fácil. Basta acessar um site ou um simples bate papo com fãs de automobilismo para perceber que a dupla ferrarista será um dos atrativos para o espectador na temporada 2007 da categoria.

Tamanha expectativa também é compreensível por dois motivos. Primeiro: na F-1, o vocábulo Ferrari é sinônimo de competitividade. Com cinco títulos de Pilotos e seis de Construtores nas últimas oito temporadas, além de um staff excelente, a chance de canecos nesse ano é grande e faz a disputa interna entre Massa e Kimi ser a mais importante da temporada. Dela há boa chance de sair o campeão da Fórmula-1 em 2007. Segundo: há muito tempo que os torcedores não têm a oportunidade de acompanhar dois ferraristas com possibilidades de "brigar" pelo título de um campeonato, situação quase utópica até pouco tempo, quando um tal de Michael Schumacher era declaradamente o número um de Maranello.

De fato, desde que Schumacher trocou a Benetton pela Ferrari, em 1996, seus companheiros na equipe italiana foram meros coadjuvantes. Méritos totais do alemão, que além do talento incontestável soube cativar uma equipe a trabalhar quase exclusivamente ao seu favor - algo que poucos conseguiram na história do esporte a motor. Rubens Barrichello foi vice-campeão do germânico em 2002 e 2004 mais sob a condição de escudeiro do que rival de Schumi. Contudo, a última vez em que a Ferrari teve dois pilotos na briga pelo título aconteceu bem antes do início do "Império Schumacher". Foi em 1983 - ano do bicampeonato de Nelson Piquet - com a dupla francesa René Arnoux e Patrick Tambay.

Daquela temporada até a contratação de Schumacher, algumas disputas promissoras até surgiram, como Nigel Mansell e Alain Prost, em 1990, além de Jean Alesi e Gerhard Berger, de 1993 a 1995. Na primeira, que me desculpe os fãs de plantão de Mansell, mas Prost sempre foi mais completo que o Leão nas pistas. Não à toa, o francês lutou pelo título de Pilotos daquele ano com Ayrton Senna até a penúltima etapa, em Suzuka. Já o segundo embate, apesar de equilibrado, ocorreu em época de vacas magras para uma Ferrari pouco competitiva frente a equipes como Williams e Benetton.

A disputa entre Massa e Räikkönen promete muito porque reúne pilotos tecnicamente semelhantes: são velozes e arrojados, tocada que vez ou outra costuma sair caro para ambos... Apesar de Kimi faturar caminhões de dólares a mais que Massa, o brasileiro já tem dois anos de casa. Aliás, se Massa realmente almeja o título deve se aproveitar ao máximo disso e abrir a maior vantagem possível em relação ao finlandês nas primeiras etapas do campeonato. Além disso, a Ferrari terá um pacote extremamente competitivo para 2007.

Muitos do paddock da Fórmula-1 e colegas de imprensa dramatizam as chances dos italianos no campeonato por causa das saídas de Michael Schumacher e do diretor técnico Ross Brawn. Mas poucos se dão conta de que as rivais também passam por mudanças. Desde 1999, a Ferrari é parceira da Bridgestone, única fornecedora de pneus na categoria para a temporada de 2007. Já McLaren e Renault, até o ano passado, corriam com Michelin. Além disso, Aldo Costa parte para a segunda temporada como projetista da Ferrari. E já começou bem, pois notou que não dava para extrair muito do modelo de 2006 e criou um carro do zero, ao contrário dos últimos campeonatos, nos quais os italianos iniciavam o ano com um modelo que apresentava apenas algumas alterações em relação ao antecessor.

Outro fator que faz muitos ferraristas roerem as unhas certamente é a possibilidade da relação entre Felipe e Kimi azedar ao longo do ano. Asseguro que toda aquela proximidade entre ambos nos eventos promocionais da Ferrari no início desse ano irá se dissipar gradativamente ao longo do campeonato 2007. Mas isso não significa briga e sim um distanciamento natural. Além disso, essa dupla tem maturidade e profissionalismo suficientes para evitar problemas, e a cúpula da equipe italiana é suficientemente competente para saber a hora certa de colocar ordem na casa. Essa história de que "não há primeiro piloto" vira balela quando um deles passa a ter desempenho notoriamente superior ao do companheiro equipe. Se um dos dois disparar na classificação e estiver na disputa pelo título com piloto de outra equipe, não duvide que o radinho dos monopostos vermelhos irá funcionar durante algumas etapas...

Culpa do Schumacão - ou seria mérito?! Se continuasse a bordo dos carros italianos as coisas estariam muito bem desenhadas lá pelos lados de Maranello.

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Site: Principal (Pilotos)


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