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QUERO MAIS UM TESTE
por Rafael Ligeiro
São Paulo (BR), 28 Dez 2006
Apesar da aposentadoria de Michael Schumacher, essa é, por dois motivos, uma das pré-temporadas mais interessantes da Fórmula-1 nos últimos anos. Primeiro: as equipes órfãs da Michelin, inclusive a atual bicampeã de Pilotos e Construtores, a Renault, terão de aproveitar esse período para se adaptar aos compostos da japonesa Bridgestone, fornecedora única de pneus na categoria no próximo ano. Segundo - e o principal: a "aparição" de Mika Häkkinen e Alessandro Zanardi, dois extraordinários nomes da história recente do esporte a motor mundial, durante sessões na Espanha. Ambos gostaram do regresso às pistas e deixaram claro o gostinho de "quero mais um teste".
Trata-se de uma atitude extremamente compreensível. Especialmente para Zanardi. A experiência do italiano, que perdeu as pernas em acidente na etapa da Alemanha de Champ Car, em 2001, a bordo de um BMW adaptado foi curta. Em novembro, Sandro passou dois dias testando no circuito de Valência. No primeiro dia, deu apenas quatro voltas com o carro da equipe alemã. Já no dia seguinte, o monoposto apresentou problemas elétricos apenas na 12ª volta do teste. Contudo, mais que pelo "regresso relâmpago" à categoria, o italiano de Bolonha merece ser recompensado com novos testes por causa da seriedade e coragem com que encara o automobilismo.
O bicampeão de Champ Car poderia ter seguido o exemplo de inúmeros profissionais das pistas, que nunca mais sequer entraram num carro de competição após um acidente. Poderia sumir da mídia, querer paz e sossego, curtir a família. Mas não. Desde o choque que quase tragou sua vida, Alex continua um apaixonado por automobilismo. Aliás, paixão que parece aumentar a cada desafio superado e mantém a estrela do simpático piloto ainda mais brilhante que na época em que barbarizava a concorrência em corridas nos Estados Unidos. Aliás, uma apresentação com BMW adaptado em Indianápolis, durante a passagem da F-1 pelo país, seria um prêmio fantástico ao piloto e sua legião de fãs.
E a competência de Zanardi está aí. Aos 40 anos, beliscou grandes resultados na temporada 2006 do Mundial de Turismo, o WTCC. Em 20 etapas, o italiano faturou três pódios e venceu uma das baterias na Espanha. Foi 11° colocado na classificação, com 26 pontos. No teste de F-1 em Valência, anotou 1'21.630, tempo bem acima do registrado pelos pilotos com monopostos comuns, mas apenas um segundo maior que o obtido pelo promissor piloto de testes da BMW, o alemão Sebastian Vettel, com o modelo adaptado, e deixou o diretor esportivo da equipe, Mario Thiessen, de queixo caído. "Ele não se esqueceu de como guiar um monoposto de Fórmula-1 no limite", enalteceu o cartola.
No limite, quem não esteve foi Mika Häkkinen. Na melhor das participações em testes, no circuito de Barcelona, o finlandês ficou a cinco segundos do líder da sessão - e levou 0.8'' do penúltimo colocado, Vitantonio Liuzzi, com o pouco competitivo carro da Toro Rosso...! Resultado até justificável para quem deixou a F-1 no fim do campeonato 2001 e não acompanhou o mexe-mexe-mexe-mexe da FIA no âmbito aerodinâmico dos carros da categoria, especialmente, nas últimas quatro temporadas. Virar piloto de testes é uma hipótese remota, porém não descartável. Ao longo do ano, ganharia ritmo e poderia voltar a ter boa competitividade. No entanto, creio que a melhor opção seria Ron Dennis arranjar uma vaguinha no staff da McLaren para o escandinavo. Embora não seja dos mais comunicativos, Mika é um bicampeão de F-1 e poderia contribuir muito para o crescimento do talentoso Lewis Hamilton nas pistas.
De qualquer modo, o gostinho de "quero mais uns testes" não se restringe a Mika e Alex. Também fica com os fãs desses pilotos de passado indissociável do esporte a motor mundial que esperam ver essa dupla acelerar um F-1 novamente.
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