Chico Landi em foco

BRASIL É O PAÍS COM MAIS TÍTULOS NA FÓRMULA 1
por Homero Benevides
São Paulo (BR), 22 Mar 2001

Entre 1972, ano do primeiro campeonato de Emerson Fittipaldi, e 1991, do último de Ayrton Senna, portanto em apenas vinte temporadas, o Brasil conseguiu tornar-se o país com o maior número de títulos na Fórmula 1. Depois vem a Inglaterra com 7, e a Argentina e a Escócia com 5. Em toda a história do campeonato mundial de pilotos, desde o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, em 13 de maio de 1950, 24 (vinte e quatro) pilotos brasileiros tiveram o privilégio de competir na categoria número 1 do automobilismo mundial.

O primeiro a participar de um Grande Prêmio valendo para o mundial de pilotos foi o legendário Chico Landi, que disputou com uma Ferrari o GP da Itália de 1951. Landi, na época com 44 anos de idade, não conseguiu completar a primeira volta.

Ele foi também o primeiro brasileiro a pontuar, isso no GP da Argentina de 1956. Com uma Maserati e em dupla com o italiano Gerino Gerini chegou em quarto lugar. Até 1957 os pilotos podiam trocar de carro e dividir os pontos. O nosso primeiro brasileiro de experiência internacional disputou apenas 6 GPs, entre 1951 e 1956.

Gino Bianco participou de 4 provas em 1952, numa Maserati. Em 1956 Hermano da Silva Ramos, nascido em Paris mas de nacionalidade brasileira, conseguiu o quinto lugar no GP de Mônaco pilotando uma Gordini. Fritz d'Orey em 1959 disputou 2 corridas pela Maserati e uma pela Tec-Mec.

Desde o dia 19 de julho de 1970 que o Brasil nunca mais saiu da Fórmula 1. Nessa data, Emerson Fittipaldi, o primeiro brasileiro de sucesso na F1, estreou no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, numa Lotus da equipe de Colin Chapman e naquele ano, na sua quarta corrida disputada, venceu o Grande Prêmio dos Estados Unidos e garantiu para o seu companheiro de equipe Jochen Rindt, o único título póstumo da história da F1. Era a primeira de um total de 80 vitórias brasileiras.

O primeiro título de Emerson veio logo em 1972, com Lotus-Ford, numa disputa com o escocês Jackie Stewart, na época o melhor piloto do mundo e um dos maiores de todos os tempos. Esse título fez dele o mais novo de todos os campeões mundiais até hoje, com 25 anos e 273 dias.

Em 1973 Fittipaldi foi vice de Stewart e no ano seguinte bicampeão mundial, com McLaren-Ford, disputando o título na última corrida da temporada, o Grande Prêmio dos Estados Unidos, com o suíço Clay Regazzoni e o sul-africano Jody Scheckter. Em 1975 foi novamente vice-campeão, desta vez do austríaco Niki Lauda.

No final de 1975, depois de 5 temporadas completas e 70 Grandes Prêmios disputados, Emerson Fittipaldi já colecionava 2 títulos mundiais, 2 vice-campeonatos e 14 vitórias na Fórmula 1. Isso tudo com apenas 28 anos de idade.

Aí o seu irmão Wilson Fittipaldi Jr. criou uma equipe brasileira e Emerson passou cinco anos na Copersucar, de 1976 a 1980, conseguindo em 74 GPs como melhor resultado, o segundo lugar no GP do Brasil de 1978.

Esses anos na fracassada equipe nacional serviram apenas para diminuir a sua excelente performance conquistada de 1970 a 75 e o desanimar de continuar a competir na maior categoria do automobilismo mundial.

Na época de Emerson na Copersucar José Carlos Pace, o saudoso "Moco", era a grande esperança brasileira, correndo pela Brabham, mas um acidente aéreo no interior de São Paulo em 1977 tirou sua vida. Pace é um dos cinco brasileiros com vitória na F1, ao lado de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna e Rubens Barrichello.

No período entre 1972 e 1983 participaram sem sucesso Wilson Fittipaldi Jr., Luiz Pereira Bueno, Alex Dias Ribeiro, Ingo Hoffmann, Raul Boesel e Chico Serra.

Entre 1976 e 1979 o Brasil não conquistou nenhuma vitória e só em 1980 no GP dos Estados Unidos, em Long Beach, Nelson Piquet fez com que a torcida brasileira voltasse a ouvir o Hino Nacional Brasileiro. Entre 1980 e 1993 o Brasil não passou um só ano sem conquistar pelo menos uma vitória.

Na sua segunda temporada completa Piquet já conquistava o vice-campeonato mundial em disputa com o australiano Alan Jones e no ano seguinte, 1981, conquistava seu primeiro título com Brabham-Ford, disputando na última corrida com o argentino Carlos Reutemann e o francês Jacques Laffite. Dois anos depois foi bicampeão com Brabham-BMW turbo, novamente na última corrida e dessa vez com os franceses Alain Prost e René Arnoux. Piquet foi o primeiro campeão mundial com motor turbo.

Em 1987 foi o primeiro brasileiro tricampeão do mundo, com Williams-Honda turbo. Naquele ano, também no dia primeiro de maio e na curva Tamburello, sofreu o pior acidente de sua carreira na Fórmula 1. Depois desse acidente Piquet nunca mais foi o grande piloto do início dos anos 80. Em 1986 disputou o título com Alain Prost na última corrida até a última volta, o GP da Austrália. Portanto em 1987, o Brasil em menos de duas décadas de disputa efetiva já colecionava 5 títulos, com um piloto bi e outro tricampeão mundial, sendo que de 1987 a 1991 (5 temporadas) só não foi campeão em 1989.

No fim de semana em que Piquet conseguiu o tricampeonato (após o acidente de Nigel Mansell nos treinos para o GP do Japão) Roberto Pupo Moreno estreou na Fórmula 1. Quando Senna conquistou o bicampeonato em 1990, no GP do Japão, Moreno chegou em segundo lugar, fazendo com Nelson Piquet a dobradinha brasileira da Benetton. Entre 1988 e 1992 Maurício Gugelmin disputou 74 GPs, tendo como melhor resultado o terceiro lugar obtido no GP do Brasil de 1989.

Ainda com Piquet bicampeão, surgiu em 1984 Ayrton Senna, o brasileiro de maior sucesso na Fórmula 1 e considerado por muitos especialistas como o melhor piloto de todos os tempos. Senna foi campeão em 1988 (o último campeão com motor turbo), vice-campeão em 89, bi em 90, tricampeão em 91 e novamente vice em 93. Tudo com a McLaren-Honda.

No período entre 1988 e 1990 Senna proporcionou aos apaixonados da Fórmula 1 o maior duelo da sua história com o francês Alain Prost.

Ele é o recordista de pole positions (65) e de voltas na liderança (2.986) e o terceiro maior vencedor da F1, com 41 vitórias. Senna tinha tudo para bater o recorde de 5 títulos de Juan Manuel Fangio e o de 51 vitórias de Alain Prost, e tornar-se o maior piloto de todos os tempos, mas no dia primeiro de maio de 1994 perdeu a vida com apenas 34 anos e no auge de sua gloriosa carreira na curva Tamburello, no autódromo de Ímola, onde conquistou 3 vitórias, 8 pole positions, sendo 7 consecutivas (de 1985 a 1991) e onde teve a sua única não-classificação para a largada nos 162 treinos oficiais de que participou.

Depois do tricampeonato de Ayrton Senna em 1991 o Brasil entrou num jejum de títulos que dura até hoje. Até 1999 Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Roberto Moreno, Pedro Paulo Diniz, Ricardo Rosset, Tarso Marques e Ricardo Zonta não ameaçaram vencer nenhuma corrida e o nosso melhor resultado foram os segundos lugares de Barrichello no GP do Canadá de 1995 e Mônaco de 1997.

Tarso Marques é o mais novo piloto brasileiro a estrear na Fórmula 1, com 20 anos e 72 dias.

No ano de 2000 finalmente o Brasil voltou a vencer, conseguindo a sua octogésima vitória na Fórmula 1, com a inesquecível vitória de Barrichello no Grande Prêmio da Alemanha. E Luciano Burti estreou na Jaguar correndo apenas no GP da Áustria, substituindo o irlandês Eddie Irvine que estava doente.

Neste ano de 2001 apareceu o vigésimo-quarto brasileiro na Fórmula 1, Enrique Bernoldi, na Arrows. Portanto em toda a história da Fórmula 1 o Brasil participou com 24 pilotos, com Nelson Piquet e Ayrton Senna tricampeões e Emerson Fittipaldi bi. Emerson e Senna foram duas vezes vice-campeões e Piquet uma.

Senna tem 41 vitórias, Piquet 23 e Emerson 14; Senna 65 pole positions (recorde), Piquet 24 e Emerson 6. Rubens Barrichello tem uma vitória e 3 poles, e José Carlos Pace uma vitória e uma pole position.

Emerson Fittipaldi é o mais novo de todos os 27 campeões mundiais (25 anos e 273 dias) e Rubens Barrichello (22 anos e 96 dias) o mais novo de todos os pilotos que conquistaram pole position.

Com 8 campeonatos conquistados o Brasil além de ter o maior número de títulos, é o único país com dois tricampeões mundiais e com 3 pilotos com mais de um título na Fórmula 1.

Em vitórias (115 a 80) e em pole positions (114 a 99) os brasileiros só perdem para os ingleses.