FUNO!: Formula 1
Mário Haberfeld
em foco

Entrevista

[O]: Mário Haberfeld na Champ Car, 2003. (Images, Personages, Mário Haberfeld, 2003, provided by Maximiliano Catania/FUNO!) MÁRIO HABERFELD
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 09 Mai 2007

O paulistano Mário Haberfeld é um piloto com muita história para contar no automobilismo. Aos 30 anos - completa 31 no próximo dia 25, Mário foi campeão inglês de Fórmula-3, em 1998. No extinto Mundial de Fórmula-3000, onde correu de 1999 a 2002, Haberfeld viveu dias complicados, inclusive com um grave acidente, durante treinos para o GP da Espanha, que afastou o piloto das pistas por algumas corridas. Em 2003 partiu para os Estados Unidos, onde disputou duas temporadas da Champ Car, com resultados consideráveis. Já no ano passado, Mário alternou presenças nas provas da Grand-Am e presenças nas provas da Fórmula BMW norte-americana, onde tinha uma equipe em parceria ao escocês Derrick Walker.

Nesse papo rápido, Haberfeld fala sobre a carreira, os problemas estruturais no automobilismo norte-americano e as possibilidades da unificação entre Champ Car e Indy Racing League.

LIGEIRO: Como estão seus projetos nas pistas para esse ano?

HABERFELD: Acho que não devo competir em nenhum campeonato esse ano. Acho que as categorias de Fórmula dos Estados Unidos passam por dificuldades de patrocínio, e não tinha nenhum pacote competitivo na Grand-Am esse ano no qual achasse que valeria a pena correr. Mas quem sabe ainda acontece alguma coisa...

LIGEIRO: De que maneira a extinção da Fórmula Renault, principal categoria de base do automobilismo brasileiro, pode prejudicar a revelação de novos valores do País para o esporte a motor internacional?

HABERFELD: Acho que a falta da Fórmula Renault no Brasil é muito prejudicial à criação de novos talentos do automobilismo nacional. O Brasil é carente de "categorias escola" e, por esse motivo, a perda da Fórmula Renault acaba de vez com a chance do piloto brasileiro poder aprender ser sair do País. Sempre achei que o ideal é mesmo aprender no automobilismo internacional, como o inglês ou o norte-americano, por exemplo, mas como isso nem sempre é possível, devido à falta de patrocínios, a Fórmula Renault era uma boa opção para quem não podia ir aprender fora (do Brasil).

LIGEIRO: Por falar em Brasil, a Champ Car, categoria que você disputou durante duas temporadas, tem apenas um brasileiro confirmado para a temporada regular: o Bruno Junqueira, na Dale Coyne. Em 2001, no GP de abertura da temporada da categoria, em Monterrey, dez pilotos eram brasileiros. O que acontece com o Brasil na Champ Car? É um momento preocupante?

HABERFELD: Apesar do Bruno ter confirmado sua participação, acho que o problema é maior que a falta de pilotos brasileiros. O que falta na Champ Car hoje em dia são pilotos com talento e patrocínio para as equipes. Hoje em dia, salvo raras exceções, corre lá quem leva dinheiro.

LIGEIRO: Você acredita que a entrada do chassi Panoz na Champ Car fará a categoria retomar o crescimento de anos anteriores?

HABERFELD: Não, não vejo que um carro novo faria a categoria crescer novamente. São necessários patrocinadores, telespectadores e público.

LIGEIRO: Há algum tempo escutamos que o melhor ao automobilismo top dos Estados Unidos é a unificação entre Champ Car e Indy Racing League. Você concorda com essa opinião?

HABERFELD: Concordo que a unificação teria sido o melhor caminho algum tempo atrás, mas não creio que vá acontecer.

LIGEIRO: Recentemente você voltou a ganhar uma corrida, pela Grand-Am. Como foi essa sensação? Voltar a vencer após algumas dificuldades no exterior deve ter sido uma grande realização, não é?

HABERFELD: Foi realmente emocionante, especialmente do modo que vencemos. Largamos do box, na última posição e conseguimos ganhar a corrida.

LIGEIRO: Martin Donnelly, Jackie Stewart, Ron Dennis, Eddie Jordan, Eric Bachelart e Derrick Walker. Você teve a oportunidade de trabalhar com esses grandes chefes de equipe. Sei que essa pergunta vai te colocar na "fogueira", mas... quem é o melhor dessa turma?

HABERFELD: Acho que todos são muito bons em aspectos diferentes. O Jackie, por exemplo, tem muitas dicas para dar sobre pilotagem, devido ao grande campeão que foi, além de ser uma excelente pessoa e um gênio em comunicação. O Derrick é muito bom e entende muito sobre a equipe propriamente dita, sobre o carro e até de estratégia de corrida. Acho que, como todos nós, cada um tem suas qualidades, mas com certeza todos entendem muito de automobilismo para chegar aonde chegaram.

LIGEIRO: Para finalizar, você é um piloto muito bem sucedido e, também, chefe de equipe. Acha que será inevitável que o filhão brevemente lhe peça um kart?

HABERFELD: Ainda tá cedo, ele mal começou a andar, mas já guia no meu colo dentro do condomínio onde moramos. Acho que não vai demorar muito não!


Veja também
Textos: Índice (Personagens)


Outras versões
es Espanhol | en Inglês