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SCHUMACHER EM BAIXA
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 12 Jul 2007
Hummm... Que dó de Ralf Schumacher! É bem verdade que parece estranho tal afirmação para um cara que desfila pelo paddock na companhia de uma esposa belíssima e enfia um milhão de dólares no bolso por mês - apenas como salário da Toyota. Mas a maré está ruim para o germânico nas pistas. Quando enfim conseguiu empurrar o carro da equipe japonesa a resultados significativos nos treinos, não é que a suspensão teimou em quebrar durante a corrida!?
De fato, até o momento, Ralf tem uma temporada para se esquecer. É bem verdade que o TF107 não é nenhum "foguete". Por isso, nada de cobrar pontos constantes ou pódios de Schumaquinho. Mas o comparativo com o companheiro de equipe é sempre um bom parâmetro para analisar o rendimento dos pilotos. E, por meio desse quesito, percebemos que o desempenho do alemão é fraco em 2007. Em Silverstone, ao cravar o sexto tempo na sessão classificatória, Ralf superou o parceiro de Toyota, o italiano Jarno Trulli, pela primeira vez em nove etapas.
Para quem acompanhou o campeão da temporada 1997, o canadense Jacques Villeneuve, se arrastar pelas pistas nos últimos anos, fica a impressão de que Schumacher pode seguir os passos do canadense. Sinceramente, acredito que Ralf não perdeu em talento, continua o mesmo dos tempos de Williams. Mas, além do TF107 não ser nem sombra dos carros que Ralf guiou pela escuderia de Grove, o piloto de 31 anos está muito desmotivado com o rendimento da Toyota.
É lamentável que essa má fase de Ralf aconteça justamente após o irmão Michael pendurar o capacete. Afinal certamente está alimentando a "tese de jerico" de algumas pessoas, inclusive colegas de imprensa, de que o mais jovem representante da família Schumacher nas pistas só atingiu algum sucesso na Fórmula-1 por causa do irmão. Parece que, para essas pessoas, Ralf é um molequinho de oito, nove anos, que faz mil e uma travessuras para desespero do "tutor" e irmão adulto Michael.
Inquestionavelmente os triunfos - e principalmente o talento - de Michael foram importantes para abrir caminho a Ralf na F-1. Mas o que há demais nisso? Wilson Fittipaldi Jr., Jacques Villeneuve, Damon Hill e tantos outros pilotos pegaram "carona" na carreira de parentes. Alguns fizeram bonito, outros nem tanto. Muita gente afirma que o heptacampeão foi importante para que Ralf trocasse a Jordan pela Williams, ao final da temporada 1998. Novamente: o que há demais nisso? Certamente o apoio de Michael não foi mais preponderante que o talento do irmão e, especialmente, o fato da montadora alemã BMW iniciar parceria com a equipe do tio Frank. Deixemos qualquer lapso de inocência mercadológica de lado, pois F-1 também é business.
Com 10 temporadas na categoria, Ralf é um dos pilotos mais experientes da atualidade. E também um bom piloto. O único problema é que quando se profere o sobrenome Schumacher, inquestionavelmente, vem à mente os inúmeros recordes do "fora de série" Michael. Aliás, ao ler o título dessa coluna, você certamente pensou que o tema seria o heptacampeão. Daí classificou o colunista como "espertinho", o artigo como "propaganda enganosa"...
Não há dúvidas de que Schumaquinho está de saco cheio da Toyota - e vice-versa. Somente uma reviravolta das grandes nas pistas manterá essa parceria para o próximo campeonato. Aliás, a presença do alemão na temporada 2008 de Fórmula-1 ainda é incerta. Sua experiência seria extremamente importante para uma equipe pequena ou intermediária. Mas resta saber se algum desses times estaria disposto a contratar um piloto não dos muitos afáveis, além de desembolsar por um profissional de salário alto. Resta saber também se Ralf estaria disposto a descer mais um degrau na F-1.
Pois é. A era Schumacher pode acabar de vez.
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