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CULPA DA FIA!
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 11 Jun 2007
Não é segredo a ninguém: a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) é alvo de constantes críticas na comunidade jornalística que acompanha automobilismo e até mesmo no paddock da Fórmula-1. Às vezes tão criticada que o presidente da entidade, Max Mosley, parece elevado à figura de um tirano da Idade Média, sempre disposto a cravar a espada no coração de alguém. A monopolização do fornecimento de pneus pela Bridgestone na categoria tirou parte de um equilíbrio que já não andava tão presente nas pistas? Culpa da FIA. Os gastos das equipes por temporada aumentaram? Culpa da FIA.
Logicamente, a entidade chefiada por Mosley possui incontestável parcela de responsabilidade nesses episódios. Contudo, é necessário reconhecer que a FIA, em pareceria às equipes da Fórmula-1, é responsável por aquela que considero a principal conquista dos pilotos: o excelente nível de segurança alcançado na categoria. Desde os acidentes fatais de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna em San Marino, em 1994, a segurança nas pistas tornou-se fator ainda mais presente entre prioridades do certame. Foi uma dura lição à FIA e ao Circo da F-1, mas até o momento bem administrada.
Sim. Jamais devemos esquecer que após aquele fatídico 1° de maio de 1994, dois fiscais de pistas morreram durante provas da categoria: um na etapa de Monza, em 2000; outro em Melbourne, no ano seguinte. Infelizmente, cem por cento de segurança nas pistas é utopia. Automobilismo é traiçoeiro. Sempre foi, sempre será. Entretanto, acidentes espetaculares como o de Robert Kubica, no domingo, em Montréal, dificilmente não seriam fatais em carros e circuitos de 15, 20 temporadas atrás.
Foi uma cena terrível. A transmissão pela televisão exibia as brigas pelas primeiras colocações pouco após uma das relargadas da etapa canadense quando, de repente, corte seco ao BMW do polonês em uma sucessão de capotagens. O carro pára, aos frangalhos, no guard-rail, com o competidor impotente, imóvel no cockpit. E, apesar de toda segurança nos carros de F-1, o pensamento que dificilmente não ronda nossas mentes é o popular "Esse cara já era!".
Contudo, apesar da imagem aterrorizante e da corriqueira preocupação quanto à reação do piloto à brusca desaceleração do carro, foi tranqüilizante verificar logo após a batida que o monocoque do BMW número dez estava intacto. Aliás, os carros da Fórmula-1 sofreram uma grande alteração na busca pela segurança nas pistas no início desse ano. As laterais do cockpit de um carro de Fórmula-1 são revestidas com uma placa em Zylon, material mais resistente que o carbono e, teoricamente, capaz de impedir a penetração de componentes, como um braço de suspensão. Mas não pára por aí.
Os testes de resistência dos monopostos a colisões, o popular crash test, ficaram mais exigentes. Além do aumento da velocidade dos carros durante simulações de acidente, impactos laterais entraram de modo mais incisivo na pauta desses testes.
Todos esses fatores certamente contribuíram sensivelmente para que o acidente não tivesse conseqüências bem mais graves que uma torção no tornozelo direito ao simpático e talentoso Kubica. Méritos de equipes e piloto da Fómula-1, que sempre lutaram por segurança. E "culpa" da FIA...
Para agradecer. De fato, Kubica tem mais um motivo para agradecer ao Papai do Céu. Em 2002, o polonês escapou de um grave acidente em uma estrada européia apenas com uma "fratura" em um braço - que rendeu o implante de uma placa com 18 pinos de titânio em um dos braços.
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