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Opinião

[O]: Turkish Grand Prix NOVOS RUMOS PARA A FÓRMULA-1
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 28 Nov 2002

Depois de Bahrein e China, agora é a vez da Turquia ganhar um Grande Prêmio de Fórmula-1. Com o anúncio feito na semana passada por Bernie Ecclestone, a categoria passa a ter em 2005 nove de 17 corridas fora da Europa. Mas o que causa essa "internacionalização"? A resposta é simples: atender a novos mercados para o crescimento da principal categoria do automobilismo mundial.

Com os rumores de que as montadoras presentes na F-1 (leia-se Fiat, BMW, Mercedes-Benz, Renault, Honda, Ford e Toyota) iriam criar um campeonato a partir de 2008, Ecclestone preferiu adotar uma política de "ampliação de horizontes". A Fórmula-1 é, inegavelmente, uma categoria com sólida imagem no mercado europeu, tanto que, em 53 anos de existência, nunca surgiu uma categoria do continente capaz, ao menos, de contestar essa situação. O Oriente Médio é um mercado ainda "aberto", pouco explorado pelo automobilismo, mas essencialmente atraentes para a divulgação da categoria, marcas e patrocinadores.

Bahrein é um arquipélago constituído por 33 ilhas paradisíacas e tem como uma de suas bases econômicas justamente o turismo, um dos mais populares do Golfo Pérsico. A China é apontada como a nação que mais crescerá economicamente nesse século, além de ter um "público" de mais de um bilhão de "consumidores". Já a Turquia representará o Leste Europeu, pois, ao que tudo indica, a instabilidade econômica da Hungria (resultado fracasso pós-Socialismo) faz com que o GP da Hungria esteja com seus dias contados.

Ao contrário da Champ Car, onde a "internacionalização" quase levou a categoria à falência, na Fórmula-1 esse processo não oferece grande risco. A categoria da FIA é fortalecida pela presença de sete grandes montadoras, algo que não havia no certame norte-americano. E as outras - pequenas - equipes? Na política da "nova F-1" o que importa são equipes apoiadas por um grande braço do mundo automobilístico, ao passo que equipes como Arrows e Minardi não tem muita importância - a não ser que tragam novas montadoras à categoria...

Outra idéia é realizar corridas em circuitos que beneficiam disputas e equilíbrio. O projeto do circuito na capital da Turquia, Istambul, está nas mãos do alemão Hermann Tilke, mesmo criador do circuito de Sepang e do novo traçado de Hockenheim. Ambos trabalhos são bastante elogiados pelos pilotos, porque foram desenvolvidos para proporcionar segurança, rapidez e, acima de tudo, ultrapassagens. Diante disso, não seria exagero dizer que circuitos como Hungaroring, Ímola e Nürburgring podem estar com dias contados na Fórmula-1.

E a "internacionalização" na categoria promete continuar. México, Índia, Egito e Líbia também estão próximos de ganhar GPs na F-1. Agora duro vai ser encaixar todas corridas em uma única temporada. Como Ecclestone e Mosley só querem 17 por ano, a solução é o "rodízio"...


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