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CHAME O COULTHARD, MR. RON!
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 22 Nov 2007
LIGEIRO: Alô, Mr. Ron.
DENNIS: Quem fala?
LIGEIRO: Sou Rafael Ligeiro, jornalista brasileiro. Tudo bem contigo?
DENNIS: Sim, na medida do possível. O que deseja?
LIGEIRO: Ligo apenas para pedir que o senhor escolha um desses dois nomes para correr no seu time em 2008. Qualquer um deles deve fazer bonito na equipe...
DENNIS: Pode falar.
LIGEIRO: David Coulthard e Nick Heidfeld.
DENNIS: Bem... Vou pensar na sua dica. Obrigado.
Ter dois pilotos titulares competentes é o desejo de qualquer equipe. Vê-los disputando curvas é o sonho de quase todos os fãs de automobilismo. Contudo nem sempre essa receita, adicionada a uma pitadinha de equipamento competitivo, é garantia de título. Tomem por exemplo a McLaren. Além de contar com dois pilotos velocíssimos, o time teve o melhor carro em parte da temporada 2007. Mas não levou o caneco no Mundial de Pilotos.
Logicamente, outros fatores contribuíram para que o título não ficasse por Woking. Além da arrancada do ferrarista Kimi Räikkönen nas últimas seis provas do ano, quando somou 50 de 60 pontos possíveis, contra 36 de Fernando Alonso e 29 de Lewis Hamilton, os pilotos do time inglês erraram em momentos decisivos. Em Fuji, antepenúltima etapa do ano, Alonso parecia ter um pódiozinho garantido quando espatifou o carro número um numa mureta. Perdeu pontos preciosos, pois até mesmo um 7° lugar garantiria o tricampeonato ao asturiano ainda em 2007. A mesma colocação também serviria para Hamilton. Aliás, os erros do inglês foram tão comentados nas últimas semanas que nem precisam de novo relato. Contudo, fica a sensação de que a equipe de Ron Dennis levaria o título se tivesse elegido o "número um" do time. Nesse ano, claro, Alonso.
Logicamente já devo ser alvejado pelas críticas dos "puritanos-de-plantão", que defendem igualdade entre pilotos em uma equipe tanto quanto Marx elogiava o comunismo, e, especialmente, pelos fãs de Lewis Hamilton. Mas aí vai minha justificativa: Alonso é um piloto experiente, conhece o caminho para vencer campeonatos na Fórmula-1. Não à toa faturou dois, batendo inclusive a Michael Schumacher. Lewis Hamilton, apesar do talento inquestionável e pose de piloto que chegou à categoria para ser um dos maiores da história, era um estreante, jovem. Com apenas 22 anos, podia esperar.
Mais que inúmeros capítulos de um "mind game" ferrenho, a relação entre Lewis Hamilton e Fernando Alonso azedou. Idem entre Fernando e McLaren. Apesar da rescisão - aparentemente - amigável entre as partes colocar um ponto final nesse drama, no entanto, há um lado ruim a ambos. Alonso, de repente, pode ficar um ou dois anos restrito à luta pelo título. Já a McLaren perde um piloto excepcional.
Escrevo essa coluna antes de qualquer definição de quem será o parceiro de equipe de Hamilton em 2008. Há muitos nomes da nova safra da Fórmula-1 que podem sentar num McLaren e fazer bonito: Heikki Kovalainen, Robert Kubica, Adrian Sutil, Sebastian Vettel, Nico Rosberg, Nelsinho Piquet... Isso apenas em um breve levantamento no meu disco rígido encefálico. Mas há um problema: será que eles não seguiriam o exemplo de Hamilton, um estreante que desbancou qualquer lapso de preferência da McLaren por um companheiro de equipe mais experiente e badalado logo no ano de estréia?
Tentar, lógico que vão. Qualquer um tentaria, embora esteja bem mais difícil agora. Quem chegar ao time encontrará um piloto com toda a estrutura digna de quem caiu, por performance nas pistas e carisma fora delas, nas graças do pessoal de Woking. Mas, creio que é possível afastar qualquer fantasma. Esse é o momento da McLaren justificar a aposta que faz em Hamilton e, principalmente, evitar nova confusão entre seus pilotos - até porque não sei se o time estaria preparado para agüentar tamanha pressão.
Nesse sentido, Nick Heidfeld é boa opção. O piloto da BMW é experiente e, sobretudo, cabeça boa. Não lembro de vê-lo envolvido em qualquer confusão nos seus oito anos de F-1. Além disso, Heidfeld cumpriu excelente participação em 2007, marcada por louvável regularidade. Pontuou em 14 das 17 etapas do ano. Foi, disparado, o melhor entre aqueles que não tinham em mãos um equipamento da Ferrari ou da McLaren.
Curiosamente, a contratação de Heidfeld marcaria um regresso à McLaren - não uma estréia. Nos anos 90, o alemão era um dos pupilos da Mercedes-Benz, parceira da equipe inglesa. Em 1998 e 1999, Nick disputava o Mundial de Fórmula-3000 e também era piloto de testes do time. Apesar disso a carreira dele tomou rumos bem distintos: passou por Prost, Sauber, Jordan, Williams e, enfim, BMW, onde corre desde 2006 e já tem lugar garantido para o próximo ano.
No entanto, Heidfeld ainda tem uma chance de guiar pela McLaren em 2008. E a peça que completaria esse quebra-cabeça seria Fernando Alonso. A BMW já demonstrou interesse no bicampeão. Se o espanhol partisse ao time de Hinwill no lugar de Nick, o caminho natural do germânico seria a McLaren.
Mas se a barganha envolvendo McLaren-Hedfeld-BMW-Alonso não rolar, David Coulthard passa a ser uma boa opção. Apesar de também já ter cockpit assegurado para 2008, na Red Bull, tirá-lo do time de Mateschitz poderia ser bem menos complicado que buscar, na arqui-rival BMW, Nick Heidfeld.
Experiente, David Coulthard conhece bem a McLaren de outros carnavais e mostrou, em grande parte da temporada 2007, que ainda sabe guiar rápido. É britânico, como Hamilton. Quase impossível "oferecer resistência" ao parceiro de time. Aliás, posso até ver: um verdadeiro trenzinho atrás de DC, segundo colocado, enquanto Luisinho, na liderança da prova, aumenta consideravelmente a vantagem aos rivais.
Nada, porém, impediria a McLaren de também apostar em uma jovem promessa, como Adrian Sutil. Como? Simples. Poderia contratá-lo para ser piloto de testes, encostá-lo um ano em outra equipe e dar uma chance como titular em 2009, 2010... Até quando ficassem cheios de Coulthard, Heidfeld - ou até mesmo Hamilton, pois muito pode acontecer em apenas uma corrida nesse mundo maluco chamado Fórmula-1. Imagine em um ou dois anos?
Enfim, não leve muito a sério minha opinião. É apenas opinião. O homem do checão dificilmente vai seguir meu conselho... Boa sorte, Kovalainen!
Tirar a mão... É bem verdade que o leitor deve ter notado. Contudo, vale a correção a um trecho da coluna "O campeonato que eu vi", no qual descrevi que o sistema "antiestalo" é acionado quando o piloto tira demais o pé da embreagem. Isso se emprega em várias categorias. Mas não na Fórmula-1. Só para lembrar a embreagem de um monoposto da categoria da FIA é acionada por duas alavancas (feitas geralmente em fibra de carbono) posicionada atrás do volante. Não há diferença funcional entre ambas, mas é uma comodidade para o piloto acionar, com apenas uma mão, a embreagem e as alavancas relativas à troca de marchas - que também ficam atrás do volante.
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