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GP da França 2007
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Opinião

[O]: Grand Prix de France 2007 QUEM NÃO FAZ...
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 03 Jul 2007

Sábado. Corinthians e Palmeiras disputam o clássico paulista da oitava (ou seria sétima?) rodada do Brasileirão. Embalado por bons resultados, o Timão parte para o ataque e domina o primeiro tempo da partida. Mas... Após escanteio para o Palmeiras, em um daqueles cruzamentos que parece dar em nada, a defesa do Corinthians fica paradinha e um palmeirense desvia a bola, sutilmente. É gol! Daí em diante, restou ao alviverde segurar o um a zero e salvar o emprego do polido treinador Caio Júnior.

Domingo. Pole position, Felipe Massa lidera com sobras o Grande Prêmio da França. Com as McLarens bem para trás e um acerto redondinho para seu Ferrari, o baixinho parece caminhar fácil para a terceira vitória na temporada 2007 de Fórmula-1. Mas... Após a segunda rodada de pit stop, Kimi Räikkönen - que passou dois terços de corrida quietinho e comportadinho atrás do companheiro de equipe - assume a liderança. E vence!

Futebol e automobilismo parecem esportes díspares. Aliás, há até quem não classifique automobilismo como esporte. A cúpula do periódico francês L'Equipe, por sinal, não titubeou ao nomear o veículo como "O jornal dos esportes e do automobilismo". Não ingresso em uma discussão sobre esse bendito assunto: automobilismo é ou não é esporte? Vamos deixar isso para outra coluna, quando faltar assunto nas pistas - tá? Contudo, logicamente, é inquestionável que esporte a motor e futebol, vez ou outra, se entrelaçam em enredos semelhantes, como os descritos acima.

Às vezes "estar melhor" pode se tornar algo perigoso. Em qualquer esporte, atividade. Tomem por exemplos aqueles boxeadores que estão com a luta na mão, mas lá pelo oitavo ou nono round beijam a lona depois de um golpe do adversário.

Aproveitar-se de momentos decisivos, mesmo que esses sejam minguados, é mais importante que "mostrar-se bem". E Kimi fez bem a lição em Magny-Cours. Entre as paradas de Felipe e do escandinavo, Räikkönen - com pouco combustível no carro (entenda-se por carro mais leve) - imprimiu excelente ritmo em voltas voadoras como o "titio" Michael Schumacher ensinou lá por Maranello. Mas não pára nisso. O trabalho da equipe de box no carro do Kimi foi sensivelmente melhor que o efetuado no monoposto do brasileiro. Ainda no primeiro pit, o tempo total da parada do finlandês foi 0s6 menor que o de Massa.

É evidente que Felipe perdeu tempo valioso atrás de cinco retardatários. Contudo, essa questão de retardatários é complicada em qualquer categoria. Tudo funciona no "fio do bigode" ou na pura interpretação, a começar pela bandeira azul - indicada pelos fiscais de pista para que os retardatários facilitem ultrapassagem aos líderes. Mas em que instante deve ser "facilitada" uma manobra? Longe de uma resposta, o acionamento da azul varia muito de GP a GP. Podem notar. Há pistas em que os fiscais acionam essa bandeira que nem uns desesperados logo que o líder se aproxima do atrasadinho. Em outras, os fiscais são mais passivos: esperam recado da direção de prova, boa vontade entre os pilotos envolvidos, alguma ordem Divina...

É difícil afirmar quem está certo e quem está errado. Contudo, a verdade é que há gente experiente, que já venceu GPs e sabe quanto importuno é ficar atrás de um retardatário. Nessa lista, destaque para Rubens Barrichello e David Coulthard. Eles costumam ceder espaço, numa boa, sem sustos, aos adiantadinhos. Mas algo é incontestável: qualquer retardatário na Fórmula-1 deseja postergar ao máximo a manobra, especialmente se julgar pequena a inferioridade do carro dele ao adversário que pretende aplicar-lhe uma volta de vantagem - afinal, vai que surge uma bandeira amarela... Já se os atrasadinhos estiverem na disputa por posições entre eles, lá no pelotão intermediário, então esquece... O ponteiro terá de buscar espaço no braço, pressionar aqui, "aparecer" no retrovisor do adversário acolá, esgoelar via-rádio para que membros da equipe exijam providencias do diretor de prova, se enfurecer ou apenas soltar gesto semelhante ao do David Coulthard no Michael Schumacher na etapa francesa de 2000. Lembra?

Sinceramente, levando-se em conta as características Magny-Cours, creio que o Felipe acertou ao não se expor a riscos contra os retardatários e saiu no lucro com o segundo lugar. Além dos poucos pontos para adiantamento, algumas curvas do traçado francês são contornadas sob alta velocidade. Explica-se: um carro que aproveita o vácuo de um monoposto ganha em velocidade, mas perde em pressão aerodinâmica, o que torna a dirigibilidade mais sensível, especialmente no contorno de curvas. Aliás, na transmissão pela televisão, em algumas disputas por posições na prova era perceptível, especialmente nas tomadas on-board, a "turbulência" criada quando um carro se aproximava de outro próximo à curva. Wurz que o diga...

De fato, Massa foi muito bem na etapa européia. Pecou apenas por não cravar o pé no acelerador com mais bronca que o comum enquanto tinha carro muito equilibrado, no primeiro terço de prova. Pode não parecer erro, mas sabem como é, né? "Quem não faz, leva". Méritos do Kimi. E do Palmeiras no clássico realizado no sábado passado...

Inspirado Fernandinho. Prejudicado pela quebra do câmbio do McLaren número um na sessão classificatória, Fernando Alonso largou apenas em 10° lugar. Mas mostrou muita disposição e foi responsável pelas disputas mais interessantes da prova, especialmente contra a dupla da BMW, Robert Kubica e Nick Heidfeld. Aliás, a Rede Globo exibiu uma matéria pouco antes da largada sobre o inesquecível pega entre René Arnoux e Gilles Villeneuve, na etapa francesa de 1979, disputada em Dijon Prenois. Será que o Fernandinho se inspirou nessa bela página do automobilismo mundial?

Sem vitórias. Magny-Cours está fora do calendário 2008 da Fórmula-1. E o circuito se despede da categoria sem uma vitória brasileira sequer. O melhor resultado de um brazuca nos 17 GPs realizados desde 1991 foi justamente o segundo posto de Massa. No ano passado, o ferrarista terminou em terceiro. Além desses resultados, o País obteve ainda outros cinco terceiros lugares: um com Ayrton Senna (em 1991) e quatro com Rubens Barrichello (1999 a 2001 e 2004).

Kubica pisou firme. E Robert Kubica voltou muito bem às pistas após o impressionante acidente em Montréal. O polonês superou o rendimento de Heidfeld e anotou o quarto tempo no treino classificatório. Recebeu a quadriculada na mesma colocação, principal resultado do piloto da BMW na Fórmula-1 desde o terceiro lugar no GP da Itália do ano passado.


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