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[O]: Lewis Hamilton e Nick Heidfeld. (Images, Participations, 2007, Canada GP, Lewis Hamilton, by AFP) AVALIAÇÃO INGLESA, ESPERANÇA ITALIANA
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 12 Jun 2007

Após duas vitórias, nos GPs do Bahrein e da Espanha, além de um terceiro lugar com "gostinho" de primeiro em Mônaco, Felipe Massa acumulou um péssimo resultado no belíssimo circuito Gilles Villeneuve, palco da sexta etapa da temporada 2007 de Fórmula-1, no domingo passado. Desclassificado por ignorar sinal vermelho na saída dos boxes, Massa assistiu ao primeiro triunfo de Lewis Hamilton na categoria. Com os resultados, o britânico da McLaren disparou na liderança do campeonato, com oito pontos de vantagem ao segundo colocado, Fernando Alonso, e 15 ao terceiro, Massa. O fim de semana ao brasileiro só não foi pior porque os outros postulantes ao título desse ano, Alonso e o companheiro de Felipe na Ferrari, Kimi Räikkönen também acumularam resultados frustrantes na prova realizada no circuito de 4.361 metros de extensão. Kimi foi quinto e Alonso apenas sétimo colocado.

Porém, a grande preocupação de Massa e da Ferrari nesse instante não é a desvantagem na tabela de pontos. Até o fim do campeonato ainda estão em jogo 110 pontos. Contudo, a eventual evolução da McLaren é o que promete tirar algumas horinhas de sono do pessoal lá de Maranello, pelo menos até a etapa do próximo domingo, em Indianápolis. Aliás, essa corrida será fundamental para avaliar até onde vai a competitividade dos carros prateados de Woking.

Sinceramente, não estou surpreso com o rendimento da McLaren nas duas últimas etapas. Os circuitos de Monte Carlo e Montréal reúnem condições favoráveis aos carros do time de Daimler-Chrysler, Ron Dennis e companhia. Aliás, na coluna "Briga equilibrada e o que falta à Ferrari", publicada na segunda-feira posterior ao GP da Malásia, segunda etapa da atual temporada, já afirmava que a equipe de Alonso e Hamilton possui o monoposto mais equilibrado do Circo; a Ferrari, o mais potente. E apesar de três trechos onde a velocidade dos carros supera os 250 km/h, o circuito de Montréal conta com várias curvas de baixa velocidade. Ao menos seis são contornadas apenas em segunda marcha. Com isso, muito além de potência, é necessário um carro equilibrado, com excelente aceleração na "saída" das curvas. E isso a McLaren também demonstra. Com um controle de tração mais eficiente que o presente nos bólidos da rival italiana, os carros da equipe inglesa, inclusive, costumam largar muito bem. Na Malásia, Alonso, segundo no grid, tomou a ponta do pole, Massa, algo que quase se repetiu na Espanha, não fosse o "chega pra lá" do brazuca no asturiano logo na primeira curva.

Palco da próxima etapa, Indianápolis é distinto a Montréal e Monte Carlo. Lógico. Embora tenha um trecho com uma seqüência de curvas travadas, o circuito norte-americano possui um dos períodos mais longos de aceleração total na Fórmula-1. Até 2004, eram 28 segundos com pilotos de pé cravado no acelerador dos carros no contorno das curvas 12 e 13, além da reta principal. Na época, os motores na F-1 eram V10 e a troca pelos motores V8, no ano passado, não representa perda nesse período de "velocidade máxima".

Além da oportunidade de proporcionar a retomada de bom rumo para a Ferrari no campeonato 2007, Indianápolis é um circuito de excelente retrospecto à equipe italiana. Desde o regresso de Indy à F-1, em 2000, foram realizadas sete corridas e a pior participação da Scuderia - pasme! - aconteceu em 2001, quando Michael Schumacher chegou em segundo e Rubens Barrichello abandonou. Nas outras seis edições, somente vitórias: cinco com Schumi e uma com Rubinho, em 2002. Foram cinco dobradinhas, uma delas no ano passado, com Michael em primeiro lugar, seguido por Felipe Massa. Aliás, o GP de 2006 representou o ponto de partida para uma bela recuperação da Ferrari após início de temporada apagado. O time italiano desembarcou nos Estados Unidos com apenas 87 pontos e duas vitórias nas dez primeiras etapas. Depois, em nove corridas, foram sete primeiros lugares e 112 de 162 pontos possíveis - aproveitamento de quase 70%.

Logicamente que um novo triunfo da McLaren e resultados ruins pelos lados ferraristas na etapa ianque não tiram as possibilidades de Kimi Räikkönen, tampouco de Felipe Massa, na busca pelo título da 58ª temporada de Fórmula-1. No entanto, se a equipe de Woking mantiver em Indianápolis o bom rendimento das duas últimas etapas, aí é sinal de que a coisa vai ficar um pouco mais difícil por Maranello...


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