FUNO!: Formula 1
GP da Espanha 2007
em foco

Opinião

Images, Drivers, Felipe Massa, 2007, provided by Maximiliano Catania/FUNO! FERRARI E A MALDIÇÃO DOS PONTOS
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 23 Mai 2007

Olhando à tabela de classificação da temporada 2007 de Fórmula-1 após a etapa da Espanha, para muitos fica a impressão de que algo está estranho na principal categoria do automobilismo mundial. Dono do maior número de vitórias no campeonato até o momento, o ferrarista Felipe Massa é apenas terceiro colocado na classificação. A liderança é de Lewis Hamilton, da McLaren, que ainda não venceu em 2007. Aliás, até que demorou a alguém lá pelos lados de Maranello chiar pelo sistema de pontos presente na F-1. "Em um campeonato sério, que premiasse de forma justa o ganhador, estaríamos à frente", disparou ninguém menos que o presidente da Ferrari, Luca Montezemolo, em entrevista ao jornal italiano Gazzetta dello Sport, na semana passada.

Para a cúpula ferrarista, essa bronca pela pontuação na categoria não é novidade. Vem, pelo menos desde 2003, quando a FIA instituiu esse regulamento com duas intenções bastante evidentes. Primeira: bonificar mais equipes "médias" e "pequenas", ao estender a zona de pontuação da sexta até a oitava colocação. Até aí nada demais, mas a segunda era proporcionar mais equilíbrio ao certame, em uma época, justamente, de incontestável domínio ferrarista. Nisso, a diferença do primeiro para o segundo colocado de uma corrida caiu de quatro para apenas dois pontos.

Ainda em 2003, a Ferrari sofreu o primeiro baque pelo regulamento. Michael Schumacher conquistou o hexa no sufoco. A conquista veio somente no último GP daquele campeonato, realizado no Japão, quando penou para faturar um pontinho com o oitavo lugar que deixou o alemão apenas dois à frente do vice-campeão de 2003, o finlandês Kimi Räikkönen. Com o popular sistema de pontuação 10-6-4-3-2-1, presente na Fórmula-1 de 1991 a 2002, Michael nem precisaria dar às caras no Japão, pois teria garantido o caneco na penúltima etapa daquele campeonato, em Indianápolis.

Porém se um "título adiado" já seria suficiente para enfurecer Montezemolo, o que dizer do Campeonato de Construtores do ano passado?! Vice-campeã do torneio, apenas cinco pontos atrás da Renault, a Ferrari seria a vencedora sob o regulamento de pontos da Fórmula-1 até 2002. Os italianos somariam 160 pontos contra 148 da rival francesa. Isso sem contar que a categoria desembarcaria no Brasil, palco da última etapa de 2006, com Schumacão apenas um ponto atrás do líder do campeonato, Fernando Alonso...

Curiosamente, se o atual regulamento de pontos da Fórmula-1 valesse já em 1999, Eddie Irvine seria um semideus em Maranello. Explica-se: o irlandês, vice-campeão de Mika Häkkinen por apenas dois pontos naquele ano, conquistaria o título com 96 pontos - contra 88 do finlandês. Seria o primeiro campeonato de Pilotos da Ferrari desde o obtido pelo sul-africano Jody Scheckter, em 1979. No entanto, coube a Michael Schumacher a proeza de acabar com o jejum de duas décadas sem o Mundial de Pilotos, em 2000.

Embora, de fato, esteja no instante da FIA rever a distribuição de pontos ao vencedor de uma corrida, Montezemolo não pode reclamar. Ao manter a Ferrari na excelente vitrine mercadológica que é a Fórmula-1, aceita indiretamente regulamentos e devaneios de Max Mosley e Bernie Ecclestone. "Se" não entra em campo, tampouco em pista. Mas que essa relação da Ferrari com os sistemas de pontos é infeliz, isso não podemos negar...

Veja também
Textos: Índice (Corridas-Participações)


Outras versões
es Espanhol