FUNO!: Formula 1
GP do Bahrein 2007
em foco

Opinião

[O]: Felipe Massa é, pelo menos nesse ano, o piloto mais bem preparado do time italiano na luta pelo 58° mundial de Pilotos de Fórmula-1. (Images, Drivers, Felipe Massa, 2007, provided by Maximiliano Catania/FUNO!) 22 X 3 (+17) = EMOÇÃO
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 16 Abr 2007

A matemática é algo indissociável de qualquer categoria do automobilismo mundial. Antes, durante e depois de uma prova. Afinal, quem nunca escutou coisas do tipo: "Fulano cravou meio segundo no adversário", "Esse piloto precisa de dois pontos para garantir o título" ou, até mesmo, "esse cara já não é nem 10% do que foi no início de carreira". E em 2007, os números gracejam caprichosamente na Fórmula-1. Para comprovar isso, basta uma zapeadinha básica na classificação do campeonato: Fernando Alonso, 22; Kimi Räikkönen, 22; Lewis Hamilton, 22.

Mas a fórmula (matemática, viu!) desse início de temporada não é tão simples quanto a presente no título dessa coluna - 167ª desse que vos escreve desde o debut como colunista de automobilismo, em 2002. O 22 multiplicado por três também ganha 17 a ser somado. Aliás, agora, para se chegar ao campeão da temporada 2007 são necessárias contas mais complexas.

Entenda-se "T" por título da temporada. Mas esse tópico fica meio esquecidinho, só vamos usar no final desse artigo. "A", "R", "H", "M" representa, respectivamente, a inicial de Alonso, Räikkönen, Hamilton e Massa. A abreviatura "Pc" é a atual pontuação no campeonato. "E" representa a Estrutura da equipe, assim como "R" regularidade, "D" determinação e "B" braço. Cada abreviatura possui uma escala de um a dez. O "x" da fórmula representa multiplicação, não uma incógnita a ser desvendada durante a resolução da conta - daquelas que nos acompanhavam maliciosamente, prontas para nos ferrar, nas aulas de matemática durante a época escolar. Então, nossa continha ficou assim:

Piloto = (Pc) x (E+R+D) x (Es)

Quando o assunto é experiência, "A" não é bicampeão à toa. Em cinco temporadas na Fórmula-1, "A" virou um componente de regularidade louvável ao longo de uma temporada, feito exibido com enorme competência no campeonato 2006. Nas corridas, erra pouco. Merece nove! "H" está em um nível muito bom para um estreante, mas é necessário conter qualquer oba-oba: a constância de "H" em provas de F-1 ainda é inferior ao dos outros componentes dessa fórmula. Leva sete. "R" leva oito, assim como "M", que exibiu uma pilotagem irretocável em Sakhir. Excetuando a pressãozinha de "H" após a saída do safety car e uma travadinha de freios logo no início da corrida, "M" jamais teve a liderança ameaçada em um domingão de corrida perfeito. Eis a fórmula:

A = 22 x (9+B+D) x (Es)
R = 22 x (8+B+D) x (Es)
H = 22 x (7+B+D) x (Es)
M = 17 x (8+B+D) x (Es)

Quando o assunto é "B", também conhecido como o bom e velho braço, a galera está bem, nivelada em ótimo nível. Todos levam nove!

A = 22 x (9+9+D) x (Es)
R = 22 x (8+9+D) x (Es)
H = 22 x (7+9+D) x (Es)
M = 17 x (8+9+D) x (Es)

Determinação. Eis ai um quesito interessante. Na McLaren, "H" desfila muita disposição nas pistas para vencer. Nesse quesito, até o momento, ofusca o companheiro de equipe "A". Na disputa de Woking, nove a sete. Pela Ferrari, "R" anda meio discreto. Sete. Já para o "M" sobra vontade... Sim, "M" errou na Malásia. Mas isso apenas ocorreu porque foi corajoso suficiente para tentar ultrapassagem.

"M" leva nove.

A = 22 x (9+9+7) x (Es)
R = 22 x (8+9+9) x (Es)
H = 22 x (7+9+7) x (Es)
M = 17 x (8+9+9) x (Es)

Agora, o critério mais importante da Fórmula-1 matemática para o piloto que almeja vitórias e título: estrutura da equipe. É impossível chegar ao título na categoria sem um carro bom em mãos e, até mesmo, algumas vantagens em relação ao companheiro de equipe. E quando o assunto é "Es", há um equilíbrio muito grande. A McLaren de "A" e "H" mostrou na etapa de Sepang que tem um carro equilibrado e confiável, enquanto a Ferrari de "R" e "M", com três poles na temporada, é o equipamento mais potente da F-1 atual. Mas na hora da pressão, aposto que a Ferrari será mais equipe que a rival inglesa. Por isso: dez a nove para o time de Maranello. Desses dez pontos dos italianos, sete pertencem a "M", pois já está na terceira temporada de casa, ao passo que "R", apesar de grande piloto, ainda é novato - e leva três pontinhos. Já no time de Woking, "A" fatura cinco e "H", quatro.

A = 22 x (9+9+7) x 5
R = 22 x (8+9+7) x 3
H = 22 x (7+9+9) x 4
M = 17 x (8+9+9) x 7

Resultado:

A = 2750, R = 1584, H = 2200, M = 3094. T = M, ou melhor, título para Felipe Massa.

A fórmula está meio esquisitinha, mas acho que funciona... Especialmente se a Ferrari reconhecer que McLaren e Fernando Alonso são rivais de primeiríssima linha e nomear Massa como o número um de Maranello na luta pelo caneco. O brasileiro é, pelo menos nesse ano, o piloto mais bem preparado do time italiano na luta pelo 58° mundial de Pilotos de Fórmula-1.

Três corridas, três vencedores. Mas se a classificação do campeonato já seria suficiente para mostrar que a disputa pelo título da temporada 2007 está equilibrada, outra marca chama a atenção. Em três corridas disputadas, três pilotos diferentes faturaram o primeiro lugar: Kimi Räikkönen na Austrália, Fernando Alonso na Malásia, além de Felipe Massa no Bahrein. Além de 2007, apenas outras 13 temporadas desde a criação da Fórmula-1, em 1950, tiveram três vencedores diferentes nas três primeiras etapas do ano. A última vez em que isso ocorreu foi em 1999, quando Eddie Irvine, Mika Häkkinen e Michael Schumacher venceram, respectivamente, os GPs da Austrália, Brasil e San Marino.

Com as atuais performances de Lewis Hamilton, certamente o torcedor começa a levar à sério a hipótese da atual temporada ganhar mais um vencedor já na próxima etapa, em Barcelona. Além da primeira vitória de um piloto negro na Fórmula-1, o triunfo seria o 150° da McLaren na categoria. De quebra, se Lewis ou qualquer piloto excetuando Kimi, Alonso e Massa vencerem a etapa espanhola, 2007 passará a ter quatro vencedores diferentes no início de temporada, algo que aconteceu apenas em 10 temporadas na categoria.

Curiosamente, em três desses campeonatos (1956, 1959 e 1960), as 500 Milhas de Indianápolis, segunda ou terceira etapa nesses anos, contava com um grid totalmente diferente ao da Fórmula-1. Apenas alguns "gatos pingados" da categoria européia, como Alberto Ascari e Jack Brabham, se aventuraram na corrida norte-americana enquanto essa fez parte do calendário da F-1. Mas o início de temporada com maior período sem repetição de um dos vencedores aconteceu em 1967, 1975 e 1983. Nesses anos, as cinco primeiras provas foram vencidas por cinco pilotos.

Quando o assunto é o campeonato 2007 não devemos nos iludir. A temporada está equilibrada, sim; mas apenas entre duas forças: McLaren e Ferrari. Somente quatro pilotos têm chances de brigar diretamente pelas vitórias. A terceira melhor equipe nesse início de temporada, a BMW, está em um nível fantástico se comparado ao rendimento do ano passado, mas é cedo para pensar em vitórias. Trata-se de um carro para somar pontos com facilidade e brigar por pódio aqui e acolá. Obviamente, o time alemão não está privado de beliscar alguma corrida nesse ano, mas isso estará muito condicionado a abandonos de Ferrari e McLaren.

Entre as demais equipes, resta acompanhar a evolução nos testes da fase de preparação para o GP da Espanha, que acontece apenas no próximo dia 13, assunto a ser abordado nas próximas colunas.


Veja também
Textos: Índice (Corridas-Participações)