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SCHUMACHER JAMAIS PERDE A REALEZA
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 27 Abr 2006
Comparação. Eis ai um campo complicado para se dominar em diversas atividades. E no automobilismo não é diferente, afinal, existem dezenas de fatores que podem influir no rendimento de um piloto: de equipamento a condições climáticas; de preparação psicológica a integração entre o profissional do volante e sua equipe. Contudo, muitos colegas se aproveitam disso para se isentar de opiniões sobre o assunto ou até mesmo descambam para o tradicional embalismo.
Sem dúvidas, Fernando Alonso está na "crista da onda". Com o melhor carro na temporada passada, soube dosar velocidade e consistência durante as corridas para faturar, merecidamente, seu primeiro título na F-1. Nesse ano, a Renault novamente acertou a mão na produção de seu carro e o espanhol ruma firme ao bicampeonato. Mas, apresentações como a de Michael Schumacher nesse domingo, em Ímola, mostram que o alemão continua sendo o dono da categoria.
Aos famosos bicões da imprensa, os resultados pouco prolíferos de Schumi em 2005 foram a gota d'água para determinar o fim de um piloto que até então acumulava cinco títulos consecutivos. Com apenas 62 pontos na classificação e uma vitória, alcançada na famigerada etapa de Indianápolis, a "era Schumacher" parecia ter chegado ao fim. Mas na verdade o que chegou ao fim, de fato, foi a "era Ferrari". Aliás, recentemente, em entrevista a uma revista espanhola, Schumacher disse que ninguém é campeão sem equipamento competitivo.
Na Fórmula 1, isso não é novidade. Em uma categoria extremamente desenvolvida em termos de tecnologia, onde centenas de milhões de dólares são investidos anualmente, a competitividade do carro é até mais importante que o talento do piloto. Para isso, basta constatar quantos pilotos de tocada burocrática levaram ao menos um caneco para casa: Damon Hill, Mika Häkkinen, Jacques Villeneuve, James Hunt, Keke Rosberg, dentre outros. Outra forma de explicitar essa situação é através de um quarteto que encantou as pistas nos anos 80 e 90.
Ayrton Senna faturou três títulos quando a McLaren vivia uma de suas melhores épocas na categoria. Quando o time ficou à sombra da Williams, por mais que o talento de Ayrton falasse alto, nosso brasileiro teve de se contentar com vice-campeonato. Alain Prost certamente não iria muito longe se continuasse conduzir o patriótico projeto Renault, ao final da temporada de 1983. Nigel Mansell, então, dispensa comentários: só ergueu o troféu quando a Williams contava com "carros de outro planeta". Já Piquet talvez tenha quebrado um pouco o paradigma de que é impossível ser campeão sem carro. A Brabham não era uma excelência em termos de competitividade, mas o time estava sempre disposto a investir em inovações esportivas e tecnológicas - que na maioria das vezes davam certo.
Para Schumacão, bastou um carro minimamente competitivo em San Marino para voltar a cravar bons resultados. No sábado, anotou a 66ª pole position da carreira e virou o recordista nesse quesito. Já na domingo, aproveitando-se da falta de pontos de ultrapassagem de Ímola e com muita experiência, segurou um Alonso motivado e em grande momento.
É verdade. Alonso é forte candidato ao bicampeonato. Mas Schumacher deve beliscar mais alguns bons resultados e até ameaçar a condição de principal favorito ao título do asturiano.
Eis ai algo que muitos precisam aprender: o talento de Schumacher jamais pode ser subestimado. O alemão é um piloto que já atingiu um nível de excelência na carreira, pois possui experiência, rapidez e frieza às dúzias em relação aos demais. Mesmo que o título não venha, o alemão continuará sendo o rei das pistas enquanto estiver por lá. Aos outros cabe apenas a luta para saber quem é o príncipe.
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