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[O]: Jenson Button no GP da Hungria 2006. (Images, Participations, 2006, Hungary GP, Jenson Button, by AP/LaNacion.com) POUCAS SURPRESAS POR AQUI
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 22 Jun 2007

Recentemente, o colega do site Grande Prêmio - e jornalista de outros mil e um veículos, Flávio Gomes, comentou em um de seus artigos sobre a falta de surpresas na Fórmula-1. Aliás, trouxe dados desde 2001 que comprovam essa tese. Concordo com o ilustre torcedor da Portuguesa de Desportos, contudo, esse "desequilíbrio" na Fórmula-1 não é exclusividade do terceiro milênio. O espaço para surpresas na categoria da FIA sempre foi minguado, especialmente nos últimos 20 anos. Ainda em 1988, a McLaren pulverizou a concorrência, faturando 15 das 16 corridas do ano: oito com o campeão Ayrton Senna e sete com vice Alain Prost. Restou a Gerhard Berger uma valiosa migalha, de Ferrari em Monza, etapa que os carros da McLaren ficaram pelo caminho.

Desde 1988 foram realizadas 320 corridas na principal categoria do automobilismo mundial. E considerando como equipes grandes apenas Ferrari, McLaren, Williams e Benetton, que posteriormente virou Renault, além de equipes que tiveram algum lampejo de competitividade, como Jordan em 1999 e BAR cinco anos depois, poucas "zebras" venceram provas na F-1 dos últimos 20 anos. Ai vai minha escalação:

1 - Jenson Button, Honda, GP da Hungria 2006
2 - Giancarlo Fisichella, Jordan, GP do Brasil 2003
3 - Johnny Herbert, Stewart, GP da Europa 1999
4 - Damon Hill, Jordan, GP da Bélgica de 1998
5 - Olivier Panis, Ligier, GP de Mônaco de 1996
6 - Johnny Herbert, Benetton, GP da Itália de 1995
7 - Johnny Herbert, Benetton, GP da Inglaterra de 1995
8 - Jean Alesi, Ferrari, GP do Canadá de 1995
9 - Nigel Mansell, Williams, GP da Austrália de 1994
10 - Gerhard Berger, Ferrari, GP da Alemanha de 1994
11 - Alessandro Nannini, Benetton, GP do Japão de 1989

Na realidade, do número seis até o onze tratam-se de "meia-surpresas". As vitórias de Alesi e Berger foram as únicas da Ferrari entre 1991 e 1995, período de resultados modestos por Maranello. Mas o talento dessa dupla era grande e os carros vermelhos, embora não fossem "foguetes" nas pistas, também não eram "tratores". Mesma conjuntura emprega-se a Nannini e Benetton em 1989. Os britânicos Herbert e Mansell tinham excelente equipamento em mãos, mas, para vencer, precisaram de enroscadas entre Damon Hill e Michael Schumacher - os "fominhas" dos campeonatos 1994 e 1995, vencedores de 27 das 33 provas disputadas nesse biênio. Aliás, Mansell, então aos 41 anos, tornou-se o último quarentão a vencer um GP na categoria.

Surpresas mesmo, de fato somente do um ao cinco. Apesar de parecer pedido de lanchonete, essa é a dura realidade. Detalhe: quatro dessas cinco vitórias foram obtidas em corridas realizadas sob chuva...

De fato, nos últimos 20 anos, sobram temporadas pouco equilibradas, com amplo domínio de apenas uma equipe. Além de 1988, a McLaren passeou no ano seguinte. Foram 11 triunfos em 16 corridas. A Williams faturou 10 em 16 nos campeonatos de 1992 e de 1993 - e seriam mais, não fosse Senna na McLaren estragar a festa. Em 1996, o time inglês novamente fez bonito: 12 primeiros lugares em 16 GPs. Em 2002, a Ferrari ganhou 15 em 17 provas, número repetido dois anos mais tarde, porém em uma temporada com 18 Grandes Prêmios.

O atual campeonato até apresenta alternância de vencedores. São quatro em sete corridas. Mas o que preocupa ao torcedor é que os triunfos estão restritos apenas a McLaren e Ferrari. E a impressão é que vai ser assim até a bandeirada em Interlagos, palco da última etapa do ano, em 21 de outubro. Entre as outras equipes, a BMW, que evolui sensivelmente desde o início do campeonato, é a que possui mais chances de engrossar a lista até lá. Mas, por enquanto, está mais na dependência de abandonos dos carros das rivais para beliscar um triunfo que à expectativa do próprio desempenho nas pistas.

Quando o assunto é pódio, em seis das sete etapas do atual campeonato, apenas pilotos de McLaren e Ferrari estiveram entre os três primeiros colocados. Hamilton já levou sete canecos para casa; Alonso, cinco; Felipe, quatro; e Kimi, três. Caras novas no pódio só mesmo na confusa etapa do Canadá: Nick Heidfeld, da BMW, e Alexander Wurz, da Williams. Surpresas? Apenas Wurz e a Williams.

Apesar de ser uma equipe de história vitoriosa e ter crescido nas pistas em relação ao rendimento do campeonato passado, o time do tio Frank vai precisar de uma nova parceria forte e muita grana se quiser voltar a brigar constantemente por pódios e vitórias.

Mas para não dizer que a Fórmula-1 2007 está totalmente previsível, além do pódio de Wurz, o desempenho de Takuma Sato e Lewis Hamilton surpreende. O rendimento de Hamilton excede às expectativas, que já eram muito positivas, depositadas nele desde a pré-temporada. Já a presença de Sato, da Super Aguri, nessa mini-lista pode parecer esquisita. Mas não é. Apesar do forte suporte da Honda à equipe de Aguri Suzuki, quem esperava ver Takuma já com quatro pontos em sete corridas e ainda colocar Alonso no bolso como se o japa tivesse de McLaren ou Ferrari, durante o GP de Montréal?

Não podemos esquecer também daqueles que surpreendem de tão mal que estão nesse ano: Honda, Toyota, Ralf Schumacher...

Na Fórmula-1 o espaço para surpresas sempre foi pequeno. E será cada vez menor, pois o orçamento das equipes está cada vez mais díspar até mesmo entre as potências da categoria.

Tá muito ruim, mas poderia estar ainda pior...


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