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OS MELHORES DE 2007
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 05 Mar 2008
Apenas quatro pilotos e duas escuderias sentiram o gostinho da vitória na temporada 2007 de Fórmula-1. Porém, é inquestionável que o campeonato passado foi um dos mais emocionantes dos últimos tempos. Três pilotos chegaram a Interlagos na luta pelo caneco, que foi parar nas mãos de Kimi Räikkönen. O finlandês somou 110 pontos, apenas um a mais que os adversários da McLaren, Lewis Hamilton e Fernando Alonso.
Mas não foi apenas a disputa pelo título que empolgou o fã de Fórmula-1 em 2007. Lewis Hamilton estreou de modo espetacular e colocou muito tempero na disputa da McLaren com Alonso. Massa venceu três provas e deu alguns shows de pilotagem, assim como Robert Kubica. Nick Heidfeld mostrou consistência ao longo do ano e até incomodou o quarteto mágico de Ferrari e McLaren em algumas ocasiões. Beliscou dois pódios. Além de Nick, Sebastian Vettel e Nico Rosberg foram outros pilotos da Alemanha a encantar o público em 2007; mostraram que a Germânia continua bem representada nas pistas mesmo sem o ídolo maior Michael Schumacher, que pendurou capacete, luvas e sapatilhas em 2006.
Enfim, minha lista dos melhores pilotos de 2007 segue aí. Surpreenda-se.
10° lugar: Nico Rosberg. Bastou a Williams-2007 se mostrar um carro bem menos problemático que o antecessor para Nico transformar o talento em números nas pistas. Em 17 corridas somou 20 pontos, marca cinco vezes superior à obtida na temporada 2006, quando o alemão estreou na Fórmula-1 justamente pelo time de Frank Williams.
É bem verdade que o primeiro semestre de 2007 foi discreto: cinco pontos em nove GPs. E pior: viu o criticado companheiro de equipe Alexander Wurz faturar terceiro e quarto lugares, respectivamente nos GPs do Canadá e da Europa. Mas após a etapa européia, as coisas voltaram ao "normal" em Grove. Wurz nem pontuou novamente e foi demitido pelo titio Frank ao final da temporada. Já Rosberg marcou presença no "top-eight" em cinco das últimas sete corridas do campeonato. Fechou o ano com seu melhor resultado na F-1: quarto lugar, em Interlagos.
Caso a Williams consiga mais uma sensível melhora nos seus monopostos, Nico será cara nova nos pódios da temporada vindoura.
9° lugar: Robert Kubica. Em 2007 o polonês ingressou na lista de pilotos com mais de uma "data de aniversário". Não entendeu? Explica-se. Aos 23 anos, completados no último dia sete, Kubica apenas lesionou um dos tornozelos após sofrer, durante o GP do Canadá, realizado em 10 de junho, um dos acidentes mais impressionantes da história do automobilismo. Mas, curiosamente, o acidente marcou um ponto de partida para uma participação bem superior a que o polonês estava obtendo antes de estatelar o BMW número dez numa mureta de Montréal.
Kubica ficou de molho na etapa seguinte ao acidente, em Indianápolis, mas, logo no regresso às pistas, obteve seus melhores resultados no ano. Nas provas da França e da Inglaterra, o piloto de Cracóvia recebeu a quadriculada em quarto lugar.
Mais que os resultados, Kubica se destacou por conta das corridas de recuperação e, sobretudo, pelos duelos com Felipe Massa. Em Silverstone, segurou a pressão do brasileiro da Ferrari na disputa pelo quarto lugar. Já em Fuji, perdeu a briga pelo sexto posto na última volta, após percorrerem quase meio circuito lado-a-lado. Tais rendimentos são em parte ofuscados pelo fato de não ter beliscado um pódiozinho e levar um banho do companheiro de BMW, o alemão Nick Heidfeld, na tabela de pontos. Foram "apenas" 39 contra 63 do alemão. Mas algo é inegável: Kubica está no caminho certo para o estrelato na Fórmula-1.
8° lugar: Sebastian Vettel. Lembra-se do garoto que estreou na Fórmula-1 com o terceiro carro da BMW e cravou melhor tempo no treino-livre do GP da Turquia de 2006? Pois é, o prodígio germânico "aprontou" novamente. Em 2007, Vettel trocou a reserva no time de Munique por um posto titular na Toro Rosso. E bastaram sete provas pela modesta equipe para o piloto chamar novamente a atenção - e ganhar uma boquinha nesse modesto top-ten.
Além do trabalho consistente, exibiu muito talento sob pista molhada. No Japão chegou a liderar e era o terceiro colocado até encontrar a traseira do Red Bull de Mark Webber. Debruçado sobre uma caixa de ferramentas, o alemão chorou copiosamente no box. Mas o alento veio na etapa seguinte, na China. Novamente sob um baita toró, recebeu a quadriculada em quarto lugar - atrás apenas de Räikkönen, Alonso e Massa, gente com carro muito superior ao Toro Rosso. Esse foi o melhor resultado do time - e igualou as melhores marcas da Minardi, que disputou 21 temporadas e vendeu seus espólios à Red Bull em 2005.
Pintou o novo Schumacher?
7° lugar: Heikki Kovalainen. A chacoalhada de Flavio Briatore no finlandês ao início do ano parece ter surtido efeito. Heikki conquistou os principais resultados da Renault em 2007. E a chave do sucesso de Kovalainen foi a consistência. Em 17 corridas, o escandinavo só não completou a de encerramento da temporada, realizada no Brasil.
A partir do segundo semestre, mais adaptado à Fórmula-1, fez bonito. Deixou definitivamente para trás o companheiro de equipe, o italiano Giancarlo Fisichella, e pontuou em sete etapas consecutivas. No chuvoso GP de Fuji, recebeu a quadriculada na segunda colocação após segurar a pressão do compatriota Kimi Räikkönen durante as voltas finais - num dos bons duelos da categoria no ano passado.
Em 2008, Heikki correrá ao lado de Lewis Hamilton na McLaren. O presságio é de uma parceria vencedora e sem os problemas de relacionamento que temperaram a relação entre Hamilton e Alonso em 2007. Mas o inglês não pode bobear. Assim como os compatriotas Räikkönen e Mika Häkkinen, Kovalainen é um piloto que não costuma dar shows de pilotagem, mas possui uma consistência de dar inveja a qualquer rival.
6° lugar: Nick Heidfeld. Melhor piloto entre aqueles que não tinham Ferrari ou McLaren em mãos. E disparado. Acumulou apenas três GPs abandonos durante a temporada, por conta de problemas mecânicos em seu BMW. Esteve na zona de pontos em todas as 14 ocasiões em que recebeu a quadriculada: foram dois pódios e cinco quarto lugares.
Já merece carro que proporcione chance de brigar por vitórias.
5° lugar: Felipe Massa. É bem verdade que o tão sonhado título não veio. Porém, Massa pôde sair de cabeça erguida da temporada 2007 de F-1. Rapidíssimo nas tomadas classificatórias, o brasileiro foi o piloto que somou o maior número de pole positons no ano: foram seis em 17 GPs, mesmo número de Lewis Hamilton. Em corridas, obteve três vitórias convincentes. Números que poderiam ser bem maiores, caso a Ferrari não cometesse erros tão esdrúxulos ao longo do ano no carro número cinco.
Além de tudo, deu uma "mãozinha"para Kimi Räikkönen beliscar o título de Pilotos na etapa decisiva, em Interlagos. E que "maõzinha"...
4° lugar: Fernando Alonso. Vítima do fenômeno Lewis Hamilton, Alonso até cumpriu boa temporada. Foram duas poles, quatro vitórias e 109 pontos (média de 6,41 por corrida). Abandonou apenas uma corrida: o chuvoso GP de Fuji, após estatelar o McLaren número um que pilotava numa mureta do circuito japonês. Ah, se ele soubesse que bastaria um sétimo lugar naquela corrida para ele garantir o tri já em 2007...
3° lugar: Kimi Räikkönen. É bem verdade que até podemos considerá-lo o piloto mais discreto do quarteto mágico (Kimi-Massa-Alonso-Lewis) nas pistas em 2007. Não proporcionou shows de determinação e arrojo, como Massa e Alonso. Tampouco encantou como Hamilton. Contudo, o título ficou em boas mãos. Além de acumular o maior número de vitórias na temporada, Kimi-Matias Räikkönen foi o piloto mais eficiente do campeonato, especialmente na reta final do certame. Nas seis etapas derradeiras, Kimi somou 50 de 60 pontos possíveis. No mesmo período, o companheiro de Ferrari, Felipe Massa, anotou 35. Na conturbada McLaren, Alonso fez 36; já Hamilton amargou "apenas" 29. Ao longo de 2007, Kimi abandonou apenas dois GPs: Espanha e Europa, ambos por problemas mecânicos no monoposto que pilotava.
Com uma estrutura invejável no time de Maranello, composta por boa parte dos mesmos técnicos que aprenderam a vencer com Michael Schumacher, Kimi é candidato ao bi já em 2008. E vai buscá-lo do mesmo jeito que em 2007: sem barulho e com muita eficiência.
2° lugar: Lewis Hamilton. Há quem possa afirmar que ele foi o grande perdedor da temporada. Líder na tabela de pontos em 12 das 17 etapas do ano, o inglês cometeu deslizes nos últimos dois GPs de 2007 e perdeu o título que parecia certo após soberba vitória na chuvosa prova de Fuji, antepenúltima do ano. Mas, algo é inquestionável: Nenhum outro piloto em 58 temporadas de Fórmula-1 fez tanto no campeonato de estréia quanto Hamilton. O campeão da GP2 em 2006 teve excelente adaptação ao equipamento da F-1 logo no início do ano e faturou pódio nas oito primeiras etapas. Com bons resultados nas pistas - e carisma fora do cockpit - conquistou muito espaço na McLaren. Espaço a ponto de ver Fernando Alonso, então bicampeão, deixar o time de Woking mordendo os cotovelos...
Para construir uma carreira de sucesso na Fórmula-1, lógico, é preciso ser um grande talento. Mas ganhar a estrutura de um time de ponta é fundamental. Portanto, podemos esperar muito desse simpático inglês de Stevenage.
1° lugar: Rubens Barrichello e Jenson Button. A presença dessa dupla em um top-ten seria encarada com naturalidade até em 2006, quando levaram a Honda a um honroso quarto posto no Mundial de Construtores. Contudo, o que faz esse humilde colunista colocar Button e Rubinho, após amargarem a pior temporada de suas carreiras, na lista dos melhores da Fórmula-1 em 2007 - e, de quebra, na liderança? Simples: a paciência e o profissionalismo de ambos para agüentar o péssimo equipamento do Honda-Terra, um dos mais enfadonhos criados por uma potência da categoria. Ora o carro saía de frente, outrora de traseira...
Quem disse que paciência não é virtude de campeão?
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