FUNO!: Formula 1
2007
em foco

Opinião

[O]: Com a dobradinha Heidfeld-Kubica no Mundial de Pilotos, a BMW logicamente também ficou com o título no Mundial de Construtores 2007. (Images, Makes, BMW, 2007, provided by Néstor Melgarejo/FUNO!) O CAMPEONATO QUE EU VI
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 09 Nov 2007

Muitos falam por aí que a temporada 2007 de Fórmula-1 foi equilibrada, teve uma decisão apertada. Sinceramente, não sei qual campeonato o povo assistiu. O campeão sempre esteve evidente. Desde o início do ano.

Em 17 corridas, Nick Heidfeld pulverizou a concorrência. Foram oito vitórias, dois segundos e dois terceiros lugares. Mostrou quem mandava no pedaço logo nas três primeiras provas de 2007. Foram três vitórias incontestáveis. Liderou o campeonato de ponta-a-ponta e garantiu o título com três etapas de antecedência, em Spa-Francorchamps. Foram 118 pontos - média de 6,95 por prova. Rendimento semelhante só era visto quando um compatriota de Heidfeld ainda estava nas pistas. E não faz tanto tempo.

O vice-campeonato ficou com o outro piloto da BMW, Robert Kubica. Ele venceu o duro embate com os pilotos da Renault pela segunda colocação no Mundial. Ao contrário de Nick, o polonês não teve um bom início de temporada. Os primeiros pontos vieram apenas na terceira etapa, em Sakhir, quando foi segundo colocado. Curiosamente, Kubica cresceu no campeonato depois do assustador acidente em Montréal. Depois de "ficar de molho" na etapa de Indianápolis, voltou às pistas e obteve duas vitórias consecutivas, nos GPs da França e da Inglaterra. Problemas mecânicos no carro do simpático piloto impediram um duelo incisivo entre ele e Heidfeld, porém a participação do piloto natural de Cracóvia é suficiente para credenciá-lo como um dos nomes mais promissores do automobilismo mundial.

Com a dobradinha no Mundial de Pilotos, a BMW logicamente também ficou com o título no Mundial de Construtores. Apesar de alguns problemas no câmbio do monoposto ao início do ano, o time teve uma performance constante e convincente. Conquistou doze primeiros lugares e 211 pontos, 72 a mais que a vice-campeã, a Renault. Prêmio merecido a um time simpático, honesto e batalhador, que dificilmente não manterá o alto nível no próximo campeonato.

Mas para o próximo ano a equipe alemã deverá encontrar maior resistência da Renault. Em 2007, a equipe penou, especialmente no primeiro semestre, com a adaptação aos compostos Bridgestone. Até o ano passado, os franceses corriam com pneus Michelin.

Apesar das dificuldades, a Renault conseguiu bons resultados no início do ano, com Giancarlo Fisichella. O romano pontuou nas cinco primeiras corridas do ano, com direito a vitória no Grande Prêmio de Mônaco.

No restante da temporada, Físico perdeu espaço para Heikki Kovalainen. O finlandês, que ao início de 2007 foi criticado até pelo patrão Flavio Briatore, ganhou dois GPs (Indianápolis e Fuji), um segundo lugar (Istambul) e dois terceiros (Montréal e Silverstone). Com a regularidade de quem terminou 14 das 17 etapas da temporada na zona de pontuação, ficou com o terceiro posto no Mundial de Pilotos, com 77 pontos - 11 atrás do vice, Kubica. Já o companheiro de Renault, Fisichella, encerrou o ano em quarto lugar, com 62 pontos.

Williams de volta aos bons tempos? Se há uma equipe que voltou a sorrir na Fórmula-1 essa é a Williams. Depois de uma penosa participação no campeonato passado, a equipe inglesa faturou oito pódios em 2007: dois com Alexander Wurz e seis com Nico Rosberg. Aliás, Rosberg venceu o GP Brasil e acabou com um tabu de três anos sem vitórias do time. A anterior também ocorrera em Interlagos, com o colombiano Juan Pablo Montoya.

Com 93 pontos, a equipe de Frank Williams foi a terceira força do ano, posição honrosa dada tamanha superioridade de Renault e especialmente BMW ao longo da temporada.

"Zebras" com asas. Além da volta por cima da Williams, 2007 reservou ainda duas vitórias surpreendentes na Fórmula-1. A principal foi a obtida por Sebastian Vettel no GP da China. O alemão, que estreou na categoria com um quarto lugar na etapa de Indianápolis desse ano, mostrou sangue frio digno de campeão e conduziu de modo soberbo o carro da pequenina equipe Toro Rosso sob o baita toró que assolava o circuito chinês. Para completar a festa da ex-Minardi, Vitantonio Liuzzi recebeu a quadriculada em terceiro lugar. Com a permanência de Vettel, além da contratação do atual tetracampeão de Champ Car, o francês Sébastien Bourdais, a expectativa da Toro Rosso para 2008 é pontuar com freqüência, beliscar uns pódios e até mesmo faturar mais um primeiro lugar.

Outro resultado surpreendente em 2007 ocorreu em Nürburgring. Na corrida mais maluca do ano, marcada pelo "chove-pára-chove-pára", a vitória ficou com o australiano Mark Webber, da Red Bull. Havia 26 anos que um piloto da terra dos cangurus não vencia na Fórmula-1 - mais precisamente desde 17 de outubro de 1981, quando Alan Jones levou seu Williams-Ford ao primeiro lugar no GP de Las Vegas.

Além do triunfo em Nüburgring, a Red Bull acumulou outros grandes resultados ao longo do campeonato. Webber subiu ao pódio em mais duas ocasiões, com os terceiros lugares obtidos em Indianápolis e Spa-Francorchamps. Já David Coulthard reviveu bons resultados dos tempos de McLaren nas etapas de Barcelona e Fuji, completando ambas no segundo posto. A Red Bull ficou com a quarta posição entre os Construtores, com 73 pontos, e confirmou o rótulo de equipe promissora. Pode fazer muita coisa boa em 2008. Sinal de que o trabalho do projetista Adrian Newey começa a surtir efeito...

Para esquecer. Mas se a Red Bull mostrou evolução em relação ao campeonato passado, a Honda não repetiu os grandes resultados obtidos em 2006. Foi a grande decepção do 58° Mundial de Pilotos e Construtores. Desde a etapa de abertura, na Austrália, a equipe exibiu um carro problemático e amargou a modesta sexta colocação no Mundial de Construtores. O melhor resultado do time japonês foi o segundo lugar de Button em Xangai, prova realizada sob chuva, condição climática que costuma "nivelar" o rendimento dos carros.

Assim como o inglês, Rubens Barrichello não pôde fazer muito nesse ano. Único representante do Brasil na Fórmula-1, Rubinho pontuou em apenas nove das 17 corridas do ano. Foram 20 pontos e somente o 12° lugar no Mundial de Pilotos, pior resultado de Barrica nas últimas dez temporadas.

A temporada não foi pior à Honda apenas porque a montadora compatriota e arqui-rival Toyota também não teve muito a comemorar em 2007. É bem verdade que a equipe dos carros vermelho e branco conquistou cinco pódios e ficou à frente da concorrente no Mundial de Equipes: quinto posto, com 59 pontos - 14 a mais que a Honda, sexta colocada. Contudo, nenhum de seus pilotos exibiu consistência ao longo do ano. Nem Trulli, tampouco Ralf. A tão sonhada vitória não veio. Mas dias melhores devem vir em 2008.

Entretanto, nem tudo foi desgosto ao torcedor japonês. Os pilotos da terra do sol nascente fizeram algumas peripécias nas pistas em 2007. Kazuki Nakajima estreou na F-1 pela Williams com um sexto lugar em Interlagos. Já Takuma Sato, da Super Aguri, faturou um quarto lugar, em Montréal, além de um quinto (Barcelona) e dois oitavos (Melbourne e Interlagos). Com os 11 pontos de Sato - e os quatro obtidos por Anthony Davidson, a "equipe B" da Honda ficou em penúltimo lugar entre os Construtores. A Spyker foi a lanterninha, apenas com quatro pontos obtidos por Adrian Sutil.

Será que esqueci de alguém?


Veja também
Textos: Índice (Campeonatos)