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FÓRMULA-1 2011: A ODISSÉIA
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 08 Mai 2007
O que o futuro nos reserva?
Eis aí uma pergunta constante e presente na mente dos homens desde os primórdios. E a nossa boa e velha Fórmula-1. Como será o futuro da categoria, por exemplo, em 2011? Além do término da proibição do congelamento da atual geração de motores, esse é o ano em que a categoria deverá adotar um combustível de origem totalmente renovável, o biocombustível, em substituição ao combustível de origem fóssil. Mas nas pistas, como será a composição das equipes nesse ano? No "chutódromo" aí vou eu.
McLaren e Ferrari disputam o Mundial 2011 com as mesmas duplas de pilotos dos últimos quatro anos. A equipe italiana, que dominou com sobras o campeonato de 2010, parte às pistas com o atual campeão Kimi Räikkönen e Felipe Massa, que faturou o título em 2007, além do vice em 2008 e 2010. Mas a novidade na Ferrari foi a contratação de Michael Schumacher para o cargo de diretor-esportivo. O ex-piloto, que chegou a participar de algumas sessões da pré-temporada 2009, pela BMW, receberá a assessoria da família Todt. Ao seu lado, nos fins de semana de GP, estará Nicolas Todt. Já Jean Todt, que anunciou aposentadoria ao final do último campeonato, passou o número de seu celular para Michael e falou para o alemão ligar quando precisar de qualquer ajuda no comando da equipe.
Além da aposentadoria de Todt, a Ferrari perdeu Chris Dyer para a Williams e Luca Badoer, que pendurou o capacete aos 38 anos - 12 como piloto de testes da equipe. Para o lugar de Badoer, o time de Maranello contratou outro italiano, Vitantonio Liuzzi, que disputou os últimos três campeonatos pela Red Bull - com dois pódios.
Na McLaren, os carros titulares estão nas mãos de Lewis Hamilton, campeão em 2009, e de Fernando Alonso, vencedor da temporada 2008 e vice em 2007 e 2009. Aliás, aos 30 anos, o espanhol anunciou que deixará as pistas ao final do ano. A lista de substitutos conta com inúmeros pilotos, inclusive o brasileiro Bruno Senna. Pelo paddock, corre o boato de que Bruno é o preferido de Ron Dennis, mas a Mercedes quer um alemão para o posto de Alonso. Vale ressaltar que a montadora alemã, representada pela Daimler-Chrysler, comprou as ações de Mansour Ojjeh e passou a ter 55% de participação na equipe criada por Bruce McLaren. Tal manobra é justificada pela estréia da compatriota Audi na Fórmula-1, com equipe própria. Os pilotos de testes da McLaren em 2011 são o holandês Christijan Albers e o experiente alemão Ralf Schumacher. Além disso, o time está de olho em um garoto que estreou com muito sucesso no kart em 2010: Hugo Häkkinen, filho do bicampeão da categoria pela McLaren, o finlandês Mika Häkkinen.
Após oito campeonatos, a Toyota deixou sua equipe própria na F-1. A montadora japonesa colheu poucos resultados e os dirigentes preferiram "economizar" os US$ 600 milhões anuais de orçamento. Agora, a Toyota está com a Williams, em uma parceria muito semelhante ao que o time inglês teve com a BMW há um bom tempo... A sociedade começa um pouco conturbada, porque os japoneses exigiram que um dos titulares fosse o compatriota Kohei Hirate. Frank Williams engoliu seco e aceitou a opção da parceira japonesa. O companheiro de Hirate na Williams será Nelsinho Piquet, que disputou os últimos três campeonatos pela Renault e já acumula três vitórias no currículo. Nico Rosberg, que tem contrato com o time até 2013, foi emprestado à BMW para formar dupla alemã com o fenômeno Sebastian Vettel, que estreou na categoria em 2009 e foi terceiro colocado no último campeonato, com duas vitórias.
Após não repetir o sucesso da era Alonso nos últimos quatro campeonatos, a Renault volta a iniciar uma temporada forte. A Michelin regressa à categoria em 2011 e assinou um contrato de exclusividade com o time francês para o fornecimento de pneus. E para comandar esse time à francesa, a montadora tentou Jean Todt, que negou convite. Com isso, o diretor-esportivo será Alain Prost. O tetracampeão substitui Flavio Briatore, agora braço forte de Bernie Ecclestone na FOM. O filho de Alain Prost, Nicolas Prost, foi contratado para ser piloto de testes da equipe de Enstone, ao lado do brasileiro Lucas di Grassi. Heikki Kovalainen, quinto colocado nos últimos três campeonatos, é o primeiro piloto. Já para o lugar de Nelsinho, o time contratou Robert Kubica, terceiro no campeonato 2009 e quarto em 2010. O nome do tetracampeão de Champ Car, Sébastien Bourdais, rondou o paddock da Renault durante a pré-temporada, mas sem nenhuma garantia, o francês assinou com a Red Bull, após três anos como titular na Toro Rosso. Aliás, Bourdais conhece muito bem o companheiro na RBR, o brasileiro Bruno Senna.
Sobrinho do tricampeão de Fórmula-1, Ayrton Senna, Bruno estreou na F-1 em 2009 pela equipe de Mateschitz e Berger, a mesma onde testou pela primeira vez um carro da categoria, no fim de 2007. No primeiro ano, Bruno somou seis pontos, contra sete do companheiro de equipe Bourdais, mas em 2011 foi um dos destaques da categoria e empurrou o problemático carro da Toro Rosso a dois quartos lugares (Japão e Brasil), além do terceiro lugar na corrida de Mônaco - que foi realizada sob um baita toró!
Para o lugar de Senna e Bourdais, a Toro Rosso contratou o alemão Michael Ammermüller e o norte-americano Marco Andretti, bicampeão da Indy Racing League (2008 e 2010) e das 500 Milhas de Indianápolis (2009 e 2010). Com um chassi que é a base do RB06, a Toro Rosso conta ainda com os potentes motores Ferrari e os pneus Pirelli - que também fornece compostos para Spyker e Prodrive.
A Honda, quinta no Mundial de Contrutores de 2010, disputa a sexta temporada consecutiva como equipe de Fórmula-1 com o orgulho de ter vencido os GPs do Japão de 2008 e 2009, com Jenson Button. O inglês, elevado à condição de semideus no Japão depois desses triunfos, continua no time e terá o maior salário da categoria em 2011. Depois de frustradas tentativas na contratação de Robert Kubica e, posteriormente, Nelsinho Piquet, para ocupar o segundo posto no time, a equipe apelou para o bom piloto de testes Christian Klien. James Rossiter e Sakon Yamamoto são os pilotos de testes, que, aliás, podem beliscar uma vaga na Super Aguri ao longo do ano. Não no lugar do experiente Takuma Sato, claro, mas no posto que pertence a Kazuki Nakajima, de 26 anos, que estréia na categoria sob alguns olhares de desconfiança...
No final do pelotão, a holandesa Spyker contratou Eddie Jordan para colocar ordem na casa. A dupla de pilotos é formada pelos promissores Markus Winkelhock e Adrián Vallés. Já a Prodrive, de David Richards, conseguiu uma injeção financeira mais poderosa de sua prima rica, a McLaren. O primeiro piloto será o inglês Gary Paffett, emprestado pela McLaren. Já a definição pela segunda vaga se arrastou durante toda pré-temporada. Richards queria contar com o quarentão David Coulthard, mas o britânico prefere curtir a vida e disputar etapas esporádicas do Campeonato Britânico de Turismo (BTCC), para não "enferrujar". Depois, o cartola tentou Jarno Trulli, mas o italiano viu o projeto, se lamentou e aceitou convite para correr na DTM, deixando a Itália sem titulares para a temporada 2011. Restou a Richards o indiano Narain Karthikeyan, que ganhou a vaga porque seu patrocinador, a Tata, empresa de comunicação da Índia, pagou alguns milhões de dólares a mais que o patrocinador do malaio Fairuz Fauzy, que, como consolação, virou piloto de testes da equipe.
Nas estreantes, destaque à poderosa Audi. A equipe alemã comprou a estrutura da Toyota, inclusive a sede, na cidade alemã de Colônia. Com US$ 300 milhões de orçamento anual, a equipe terá uma dupla bastante experiente: o alemão Nick Heidfeld, de 34 anos, e o português Tiago Monteiro, de 35 anos. Já a outra equipe... é a Piquet Sports/Minardi. Sempre astuto, Nelson Piquet conseguiu os potentes motores BMW a um preço muito baixo. Os pilotos são brasileiros: Ricardo Zonta e Xandynho Negrão. A apresentação do modelo 2011 aconteceu em Brasília e contou com a presença de muita gente importante da comunidade do automobilismo brasileiros: pilotos, ex-pilotos, chefes de equipe, jornalistas - e, como não poderia deixar de ser, aquele popular bando de aspones que sabe-se lá como conseguem entrar nesses tipos de evento (aliás, dessa classe, o automobilismo nacional está cheio...). Na coletiva, um repórter se levantou e perguntou ao tricampeão: "Piquet, por que seu filho, o Nelsinho, não é um dos pilotos da sua equipe?". Piquet respondeu: "O Emerson poderia ter conquistado muito mais na Fórmula-1 se não tivesse apostado tão cedo na Copersucar. Ele se deu mal ao deixar uma equipe grande como a McLaren. O Nelsinho só vem pra cá quando minha equipe tiver carro para dar vitórias a ele".
Suposições à parte, será mesmo essa a Fórmula-1 2011?
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