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A PATÉTICA PROPOSTA DE MAX MOSLEY
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 31 Dez 2002
Já imaginou ver Alex Yoong na Ferrari ou Michael Schumacher na Minardi? Isso pode ser uma das conseqüências da polêmica - e diga-se de passagem, ridícula - proposta do presidente da FIA, Max Mosley, para trazer de volta o equilíbrio à Fórmula 1: o rodízio de pilotos nas equipes durante a temporada. Segundo Mosley, seria realizado um sorteio com vinte pilotos para definir a equipe em que cada um pilotaria na primeira parte do campeonato. Após a 11ª prova, o líder poderia escolher outro carro, revezando-se de time a cada prova.
Embora seja uma atitude que busque revitalizar a imagem da categoria, entregue ao domínio ferrarista nos últimos dois anos, não há como negar que é uma proposta patética; se por um lado traria novamente a competitividade, por outro acabaria com a carreira de muitos pilotos, como Rubens Barrichello. Após trabalhar duro por sete árduas temporadas em equipes médias, o brasileiro certamente ficaria frustrado ao "perder" seu privilegiado posto de numero dois na Ferrari para qualquer "Zé de lá trás".
Aliás, a busca por um equipamento de primeira linha é o que torna a categoria interessante. Lembro-me bem de que em minha primeira temporada acompanhando a F1, em 1993, Ayrton Senna passava pela fase mais sensacional da carreira, mesmo pilotando um carro que estava "anos-luz" do binômio Williams-Renault. Além de fruto do talento de um piloto genial, que parecia estar sempre em franca evolução, tal performance faz crer que o brasileiro tinha dois objetivos. Primeiro: superar os Williams naquele ano. Segundo: assinar contrato com o time de Frank Williams.
Ayrton conseguiu o segundo, porém tudo acabou quando o braço da suspensão dianteira direita atingiu a cabeça do brasileiro de forma implacável após choque de seu monoposto no muro da curva Tamburello, naquele fatídico GP de San Marino...
Há, porém, um ponto positivo na proposta de Mosley. Com a rotatividade de pilotos, o jogo de equipe seria praticamente banido das pistas, algo que pouparia o telespectador de cenas vergonhosas como as presenciadas nos GPs da Áustria e dos Estados Unidos desse ano. Para Ferrari, Williams, McLaren e outros times restariam o papel de receber bem os "hóspedes" e disputar, efetivamente, somente o Campeonato de Construtores.
De qualquer forma, basta Williams ou McLaren apresentar um carro que faça "frente" para a Ferrari no ano que vem para todo mundo esquecer qualquer medida. Embora a Fórmula-1 seja cíclica, uma gangorra, onde cada equipe vive altos e baixos (McLaren que o diga!), a missão de ambas não será fácil. O momento é mesmo da Ferrari, que caminha para dar mais passeios em 2003 com Schummy e Rubinho, para desespero de Mosley, Ecclestone, adversários e amantes de boas disputas.
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