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GRANDE ANO PARA OS "TUPINIQUINS DO VOLANTE"
por Rafael Ligeiro/Mundo Ligeiro
São Paulo (BR), 26 Dez 2002
Sem dúvida, 2002 foi um ano muito especial ao esporte a motor brasileiro. Além do crescimento e fortalecimento de diversas categorias nacionais, o Brasil continuou muito bem representado no automobilismo do exterior por uma "legião tupiniquim" que, segundo o site Speedonline, faturou 132 vitórias, 110 pole positions e 125 melhores nos quatro cantos do mundo apenas nesse ano.
Nas três categorias top (Fórmula-1, Fórmula Mundial e Indy Racing League), nossos representantes conquistaram resultados sensacionais. Na F-1, Rubens Barrichello ficou com o vice-campeonato. Embora o próprio ferrarista tenha declarado que "segundo lugar não vale muito no Brasil", o resultado é o máximo que qualquer piloto poderia alcançar com Schumacão nas pistas. Mais que a posição na tabela de pontos, Rubens amadureceu bastante após o nascimento do filho Eduardo, melhorou como piloto, venceu quatro corridas e mostrou que pode bater o companheiro de equipe alemão em algumas ocasiões.
No automobilismo norte-americano, Cristiano da Matta dominou a temporada 2002 da Champ Car. Foram seis pole positions e sete vitórias em 19 etapas disputadas, performance que, além do título do certame, valeu ao mineiro uma vaga na equipe Toyota de F-1 para 2003. Bruno Junqueira completou a primeira dobradinha brasileira da história das categorias top na classificação de pontos e faturou o campeonato de ovais - que contabiliza os pontos obtidos no ano apenas nesse tipo de circuito. Além dessa dupla mineira, o baiano Tony Kanaan e o paulista Christian Fittipaldi somaram pontos importantes para o Brasil faturar, pelo quarto ano consecutivo, campeão da Copa das Nações da categoria. Já na Indy Racing League, outro show brazuca.
Embora o título tenha ficado nas mãos do norte-americano Sam Hornish Jr., Hélio Castroneves terminou o ano em alta: foi vice-campeão, melhor estreante e, de quebra, faturou duas vitórias, uma delas na desejada 500 Milhas de Indianápolis. Companheiro de Helinho na Penske, Gil de Ferran também venceu duas etapas e terminou o ano em terceiro, imediatamente à frente de Felipe Giaffone, que faturou uma prova em 2002 - assim como Aírton Daré. Somando os resultados às performances de Vítor Meira e Raul Boesel fica evidente que o reinado dos ianques estará em alto risco na próxima temporada.
Nas categorias de base, o Brasil também fez bonito. E a marca do sucesso foi Ricardo Zonta, que faturou com sobras a recém-criada Telefónica World Series, segunda categoria mais rápida da Europa - atrás apenas da Fórmula-1. Na F-3000 Internacional, os brasileiros não brilharam, mas também não deixaram a desejar. Rodrigo Sperafico venceu a etapa de abertura, realizada em Interlagos. Mário Haberfeld, Ricardo Maurício e Antônio Pizzonia completaram a "quadra" brasileira. Na classificação, nossos representantes ocuparam quatro das oito primeiras posições. E poderiam ter feito melhor, pois nenhuma das equipes dos brasileiros conseguiu boa adaptação ao novo modelo Lola e tiveram equipamento competitivo apenas em esporádicas provas.
Já no outro campeonato de F-3000, o Europeu, título "inesperado" para Jaime Melo Jr., que, ao melhor termo futebolístico, confirmou presença no campeonato aos 45 minutos do segundo tempo.
E ainda houve outras conquistas importantes como a vitória de Fábio Carbone no GP Masters de F-3, em Zandvoort, e o título de Nelsinho Piquet na F-3 sul-americana.
De fato, os "tupiniquins do volante" representaram muito bem o país no exterior e nos deram muitas alegrias em 2002. E pensar que tudo começou quando Emerson Fittipaldi alinhou seu Lotus 49 na 21ª posição do GP da Inglaterra, em Brands Hatch, em 19 de julho de 1970...
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